domingo, 2 de maio de 2021

25 de Abril. Discografia de José Afonso será finalmente reeditada

Os 11 álbuns de José Afonso lançados originalmente entre 1968 e 1981 vão ser reeditados, anunciou este domingo, 25 de Abril, a família do músico. 'Coro da Primavera', lançado em 1971 no álbum “Cantigas do Maio”, é a 'primeira pedra': encontra-se, desde já, disponível no 'streaming'

Os 11 álbuns de José Afonso lançados originalmente entre 1968 e 1981 vão ser reeditados, anunciou hoje a família do músico, que vai avançar para o projeto em parceria com a editora Lusitanian Music.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a família de José Afonso revelou que, “neste 25 de Abril, o lançamento digital do ‘single’ ‘Coro da Primavera’ marca o regresso às edições discográficas da obra de José Afonso”.

“A família de José Afonso decidiu, em parceria com a editora Lusitanian Music, avançar com a edição dos 11 álbuns de José Afonso originalmente editados entre 1968 e 1981 mas indisponíveis há vários anos, assumindo a importância cultural de disponibilizar esta música ao mundo”, pode ler-se no texto.

José Afonso lançou em 1968 o seu disco de estreia na editora Orfeu, de Arnaldo Trindade, sob o título “Cantares do Andarilho”, que incluía temas como “Natal dos Simples” e “Vejam Bem”.

Até 1981, editou uma série de álbuns que se tornaram marcos da música portuguesa, desde “Contos Velhos Rumos Novos” (1969) a “Fados de Coimbra e Outras Canções” (1981), passando por “Traz Outro Amigo Também” (1970), “Cantigas do Maio” (1971), “Eu Vou Ser Como a Toupeira” (1972), “Venham Mais Cinco” (1973), “Coro dos Tribunais” (1974), “Com as Minhas Tamanquinhas” (1976), “Enquanto há Força” (1978) e “Fura Fura” (1979).

Segundo o mesmo comunicado, “o projeto prevê uma sequência de edições, nos formatos clássicos (CD e vinil) e no ecossistema digital, lançadas sob um novo selo, agora criado pela Lusitanian para divulgar esta obra única no panorama da música nacional e internacional”.

As novidades sobre o projeto serão disponibilizadas “em data a anunciar brevemente", através do ‘site’ www.joseafonso.net.

Os 11 discos já haviam sido alvo de reedição pela Orfeu, entre 2012 e 2013, para assinalar os 25 anos da morte do compositor.

Na altura, os 11 álbuns foram restaurados e remasterizados digitalmente pelo engenheiro de som António Pinheiro da Silva, e a edição contava com novos textos que contextualizam o momento em que foram feitos, no percurso de José Afonso.

Em setembro do ano passado, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) abriu o processo de classificação da obra fonográfica do músico José Afonso por considerar que representa "valor cultural de significado para a Nação”.

De acordo com o anúncio então publicado em Diário da República, foi determinada a abertura do procedimento de classificação de um conjunto de 30 fonogramas da autoria do compositor e intérprete José Afonso, bem como de 18 cópias digitais de ‘masters’ de produção de um conjunto de cassetes gravadas pelo autor e de um conjunto de entrevistas.

Esta foi a primeira vez que a DGPC iniciou um processo de classificação de uma obra fonográfica, revelou o Ministério da Cultura, acrescentando que ajudará a “consolidar informação relativa à obra gravada, publicada ou não, do artista”.

A decisão surgiu um ano depois de o parlamento ter aprovado um projeto de resolução do Partido Comunista Português (PCP) que recomendava ao Governo a classificação da obra de José Afonso como de interesse nacional, com vista à sua reedição e divulgação.

Há um ano, também a Associação José Afonso (AJA) reuniu mais de 11 mil assinaturas numa petição pública que apelava à mesma decisão.

Na altura, em nota divulgada à Lusa, a família de José Afonso, detentora dos direitos da obra musical, manifestava o apoio à classificação da obra e recordava que estava a "colaborar diretamente com o Ministério da Cultura, desde 2018", para que se desenvolvesse o processo.

Ainda em 2019, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmava publicamente que não foi por falta de vontade que o processo de classificação não se iniciou mais cedo, mas porque não existia acesso às 'masters' e ao conteúdo das gravações originais de José Afonso.

Quando foi lançada a petição de pedido de salvaguarda, o presidente da AJA, Francisco Fanhais, explicava que se estava perante "um imbróglio jurídico", porque a Movieplay, a editora que detém os direitos comerciais da obra de José Afonso, estava "em situação de insolvência" e não se sabia "do paradeiro dos 'masters' das músicas gravadas pelo Zeca Afonso", comprometendo a sua reedição.

José Afonso nasceu em 02 de agosto de 1929 em Aveiro e começou a cantar enquanto estudante em Coimbra, tendo gravado os primeiros discos no início dos anos 1950 com fados de Coimbra, pela Alvorada, "dos quais não existem hoje exemplares", refere a AJA na biografia oficial do músico.

Autor de "Grândola, Vila Morena", uma das canções escolhidas para senha do avanço das tropas, na Revolução de Abril de 1974, que hoje assinala 47 anos, José Afonso morreu em 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada cinco anos antes.


https://www.msn.com/pt-pt/entretenimento/musica/25-de-abril-discografia-de-jos%c3%a9-afonso-ser%c3%a1-finalmente-reeditada/ar-BB1g1wUv

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Como soaria “Nevermind” dos Nirvana se fosse tocado por outras 12 bandas diferentes. Dos Led Zeppelin aos Green Day


As canções de Kurt Cobain ao estilo de David Bowie, Green Day, Led Zeppelin, Pantera, Megadeth e outras bandas. Não há melhor que o original? 
O músico Steve Welsh dedicou-se a um projeto intrigante: gravar o clássico "Nevermind" como se este tivesse sido tocado por 12 bandas diferentes. Se 'Smells Like Teen Spirit' se aproxima do original dos Nirvana, já 'In Bloom' soa a algo feito pelos Iron Maiden - seguindo-se versões ao estilo de artistas como David Bowie, Green Day, Led Zeppelin, Pantera ou Megadeth.
 

https://www.msn.com/pt-pt/entretenimento/musica/como-soaria-%e2%80%9cnevermind%e2%80%9d-dos-nirvana-se-fosse-tocado-por-outras-12-bandas-diferentes-dos-led-zeppelin-aos-green-day/ar-BB1g1KUs

domingo, 25 de abril de 2021

Morreu Les McKeown, vocalista dos Bay City Rollers

O músico escocês faleceu subitamente, na passada terça-feira. “Pedimos privacidade depois do choque desta perda profunda”, escreveu a família

Morreu Les McKeown, vocalista dos Bay City Rollers. Tinha 65 anos.

A família de McKeown emitiu um comunicado, partilhado no Twitter, onde confirma a morte "súbita" do músico, na passada terça-feira.

"Pedimos privacidade depois do choque desta perda profunda", pode ler-se.

Os Bay City Rollers foram uma das bandas britânicas mais famosas dos anos 70, tendo vendido mais de 100 milhões de discos por todo o mundo.

A banda ainda estava no ativo, após se ter reunido em 2015. O seu último álbum, "Ricochet", assinado com o nome The Rollers, data de 1981

https://www.msn.com/pt-pt/entretenimento/musica/morreu-les-mckeown-vocalista-dos-bay-city-rollers/ar-BB1fXvbq

sábado, 17 de abril de 2021

Os AC/DC juram que nunca gravarão uma balada. “Para sermos iguais aos outros?”

A banda australiana vai sempre tocar “o bom e velho rock and roll”, garante Angus Young em entrevista à imprensa do Brasil

Angus Young e Brian Johnson deram uma entrevista ao programa brasileiro "Fantástico", onde abordaram o novo álbum dos AC/DC, "Power Up".

Questionados sobre se algum dia poderiam gravar uma balada rock, o guitarrista foi direto: "Para sermos iguais aos outros? Os AC/DC tocam o bom e velho rock, as baladas nunca estiveram nos nossos planos".

Brian Johnson falou, ainda, nos seus problemas de saúde, que o levaram a deixar a banda em 2016. O vocalista revelou que está a ser utilizado como "cobaia" por um especialista, no sentido de criar um novo aparelho para o ouvido.

"Não posso dar muitos detalhes porque assinei um contrato onde prometi sigilo", contou, "mas posso dizer que é uma espécie de prótese do tímpano. Já a testei com a banda toda e funcionou, senti-me novamente jovem".

https://www.msn.com/pt-pt/entretenimento/musica/os-ac-dc-juram-que-nunca-gravar%c3%a3o-uma-balada-%e2%80%9cpara-sermos-iguais-aos-outros%e2%80%9d/ar-BB1bjbvA

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Nick Cave tem duas mensagens para os fãs. E uma delas é: “está na altura de fazer um álbum”

Nick Cave respondeu já, no website "Red Hand Files", aos fãs desiludidos com um novo cancelamento da sua digressão.

Ao longo do último ano, explicou, "concluí que o que mais quero fazer na vida é tocar ao vivo. Sinto imensa falta disso".

"Cancelar a digressão é", por isso, "uma grande desilusão para mim, e para a banda".

"Tentámos fazer com que funcionasse, mas visto que muitas coisas acerca de 2021 se mantêm imprevisíveis, incluindo a possibilidade de dar o grande espetáculo de arenas que queríamos, da forma que queríamos, sentimos que tínhamos de cancelar".

Ainda assim, Cave acrescentou uma nota mais positiva: "está na altura de fazer um álbum".

Recorde-se que foi desta forma, também respondendo a fãs, que o músico deu conta de que iria lançar “Ghosteen”, aquele que foi considerado pela BLITZ o melhor álbum de 2019.

https://blitz.pt/principal/update/2020-12-08-Nick-Cave-tem-duas-mensagens-para-os-fas.-E-uma-delas-e-esta-na-altura-de-fazer-um-album


sábado, 10 de abril de 2021

David Hasselhoff está a leiloar centenas de objetos de Baywatch e Knight Rider

David Hasselhoff está a leiloar mais de 150 de seus próprios objetos, incluindo mochilas Baywatch autografadas, recortes autografados em tamanho natural, o seu casaco de couro preto de Knight Rider e o carro 'KITT' verdadeiro.

Pare a imprensa. David Hasselhoff está a vender centenas de objetos memoráveis ​​naquele que é o leilão de sonho de todos os fãs de TV dos anos 80 e 90.



quarta-feira, 7 de abril de 2021

Carlos Paião vai ter estátua em sua homenagem

O cantor e compositor Carlos Paião vai passar a ter uma estátua no centro da cidade de Ílhavo, por decisão da Câmara Municipal, que desafiou o artista plástico Albano Martins para a esculpir, revelou hoje a autarquia.

A estátua de homenagem a Carlos Paião será colocada na Calçada do Jardim Henriqueta Maia que tem o seu nome, no âmbito da requalificação em curso do Centro Urbano de Ílhavo, no distrito de Aveiro.

Compositor, interprete e instrumentista, Carlos Paião viveu grande parte da sua vida em Ílhavo, terra natural dos seus pais, e foi num festival da canção de Ílhavo que começou a ser notado e publicamente reconhecido.

“A escultura, com a inscrição ‘#emplayback’, será feita em bronze, com 1,80 metros de altura e ficará colocada ao nível do solo. Este contexto permitirá um enquadramento de Carlos Paião com o espaço requalificado, integrando-o nas vivências culturais que ali forem desenvolvidas e promovidas no futuro, bem como uma interação e uma proximidade muito direta com as pessoas que usufruem daquela zona, valorizando e simbolizando a relação de intimidade que o artista sempre procurou manter com o seu público e fãs”, revela uma nota municipal.

A iniciativa, que conta com a curadoria de Nuno Sacramento, “espelha o reconhecimento público da Câmara Municipal de Ílhavo do papel cultural e do peso musical de Carlos Paião, enquadrado no esforço conjunto, desenvolvido em 2020, pela autarquia e pelo biógrafo Nuno Gonçalo da Paula (autor da biografia de Carlos Paião), com o propósito de assinalar os 40 anos do lançamento do primeiro disco e da profissionalização da sua intensa carreira, tragicamente interrompida ao fim de uma década”.

Com a nova estátua a erigir no centro da cidade, a Câmara “procura, mais uma vez, manter viva na memória coletiva as tradições, a cultura e as pessoas que notabilizaram e levaram mais longe o nome de Ílhavo e das suas gentes, para além de prestar o seu reconhecimento público deste notável autor e artista português, acarinhado por quem o consagrou e imortalizou”.

O escultor incumbido de criar a estátua, Albano Martins, nasceu no Porto, em 1971, é licenciado em Artes Plásticas – Escultura, pela Faculdade de Belas Artes do Porto e mestre em Design, Materiais e Gestão do Produto, pela Universidade de Aveiro.

Paralelamente à sua atividade artística, foi Professor de Escultura e Desenho no Ensino Superior Artístico e em vários Cursos Profissionais de Arte e Design.

Carlos Paião nasceu a 01 de novembro de 1957, em Coimbra, e morreu a 26 de agosto de 1988, num acidente de viação.

Entre as músicas que escreveu e cantou estão, entre outras, “Cinderela”, “Pó de Arroz” e “Versos de Amor”.

https://www.msn.com/pt-pt/entretenimento/musica/carlos-pai%c3%a3o-vai-ter-est%c3%a1tua-em-sua-homenagem/ar-BB1eBBcX

sábado, 3 de abril de 2021

A impressionante vida e carreira de Anthony Hopkins

É difícil esquecer a icónica interpretação que Anthony Hopkins fez de Hannibal Lecter em 'O Silêncio dos Inocentes' (1991), num papel pelo qual recebeu o Óscar na categoria de Melhor Ator. Contudo, o britânico também conta com outros galardões na carreira, como três BAFTAs, dois Emmys e um prémio Cecil B. DeMille. Hopkins volta agora a estar em destaque depois de ter sido nomeado para os Óscares, na categoria de Melhor Ator, pela sua interpretação em 'The Father'.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Alucina Eugénio

Mário Sousa e Kim Coutinho são os dois músicos que formam os Alucina Eugénio. Autores das canções, dividem-se ainda pela voz (ambos), baixo, bateria e percussões (Mário Sousa) e pelas teclas e guitarras (Kim Coutinho). Gravam para a Música Alternativa o EP Mushrooms com os temas «Piece of Cake», «Are You My Fuckin' Type», «Viscious» (uma cover de «Vicious», de Lou Reed) e «Tou-ch'n'Go». Fernando Cunha (guitarra e voz), Zé Borges (bateria e voz), Júlio César (baixo), Alex Fernandes (samplers, teclas) são os músicos que os acompanham neste trabalho que não conheceu sequência. Produzindo um som próximo dos britânicos EMF, os Alucina Eugénio podem ainda ser ouvidos na colectânea Distorção Caleidoscópica, editada no ano anterior a Mushrooms e onde figura «Are You My Tipe», então ainda sem o fuckin'. 


sábado, 27 de março de 2021

Ama Romanta


Sob a batuta de João Peste surge, em Lisboa, a editora independente Ama Romanta. A primeira edição da etiqueta é a compilação Divergências, que se revela um inesperado sucesso. Esta compilação (duplo álbum em vinil) reunia artistas de vários quadrantes da música dita alternativa, entre os quais Mler Ife Dada, A Jovem Guarda, Anamar, Nuno Rebelo, Croix-Sainte, João Peste, Bye Bye Lolita Girl, Essa Entende e Pop Dell'Arte. Ao longo do primeiro ano, esta «editora-catedral das minorias» edita L'Amour Va Bien Merci dos Mler Ife Dada. 

Parte da divulgação dos discos da editora vai passar por um bom relacionamento com as rádios livres de então. 
1987 
Fev. São lançados Querelle dos Pop Dell'Arte (maxi-single) e «Cães Vadios» dos Cães Vadios (single). 
Mar. É editado o maxi-single Amar por Amar, o primeiro disco de Anamar. 
Jun. Sai «Sonhos Pop», single dos Pop Del-Arte e Linha Geral, primeiro álbum dos Linha Geral. 
Dez. Os Pop dell'Arte lançam Free-Pop, o primeiro álbum do grupo. 

1988 E editado o álbum Pipocas do Projecto Som Pop (PSP). 
Jul. A editora radicaliza-se com a edição dos novos discos dos Mão Morta (LP Mão Morta), Sei Miguel (LP Breaker), Telectu (LP Camerata Elettronica) e Tozé Ferreira (LP Música de Baixa Fidelidade). A atitude subversiva da Ama Romanta causa desconforto nos media mais conservadores. A legalização das rádios livres, o fecho do Rock Rendez-Vous, entre outras situações, dificultam a exposição do novo material. Mler Ife Dada e Anamar transitam para outras editoras. Os Croix-Sainte terminam a sua actividade. 

1989 
Jan. O quarto ano de actividade abre com a edição do álbum Plux Quba de Nuno Canavarro. 
Fev. Sei Miguel edita o álbum Songs About Love And Terrorism. 
Abr. Os Pop dell'Arte editam o maxi-single Illogik Plastik. 
Dez. Um ano de crise termina com o lançamento do álbum Free Terminator dos Santa Maria Gasolina em Teu Ventre e The Blue Record, novo álbum de Sei Miguel. 

1990 Em ano magro é editado o EP do projecto João Peste & Acidoxi Bordel e a compilação Ama Romanta 86/90 (lançada em CD em 1991). Mão Morta e Santa Maria Gasolina em Teu Ventre abandonam a editora. 

1991 O regresso à actividade dos Pop dell'Arte devolve aos escaparates reedições do grupo e o novo álbum Arriba Avanti! Pop dell'Arte, uma compilação. A actividade de Ama Romanta entra então numa fase de estagnação definitiva. 

1995 Em entrevistas, João Peste fala numa possível edição de um «Best Of» da Ama Romanta pela EMI-VC, mas o projecto não chega nunca a ser concretizado. 

terça-feira, 2 de março de 2021

Álamos

 A capa de um single da Sonoplay editado em 1969, «Stop That Game», define os Álamos como conjunto musical universitário, espontâneo a partir de Coimbra, a que pertencem algumas espécies de todos nós conhecidas, figuras dominantes da música jovem do nosso tempo. 

Os Álamos surgem em Coimbra em 1963, depois da dissolução do Conjunto do Orfeão de Coimbra na sequência da saída de José Cid para formar os Babies. Numa primeira fase, fazem parte dos Álamos, Daniel Proença de Carvalho (guitarra) e Rui Ressurreição (piano), que eram do Conjunto do Orfeão de Coimbra, e ainda Luís Filipe Colaço (guitarra), entre outros. Por entre as aulas e os estudos, os Álamos viajam pelo continente, Açores e Madeira e também Angola, evoluindo do estilo antigo do Conjunto do Orfeão de Coimbra para a música yé-yé, embora não decalcando os Shadows ou os Beatles. Convites para espectáculos em França e na Suíça não são aceites, por causa dos estudos. 

Em 1968, os Álamos têm outra formação: Rui Ressurreição (piano), Carlos Manuel Correia, o célebre Bóris, acompanhante de José Afonso, (guitarra-solo), José António Pereira (bateria), Luís Filipe Colaço (guitarra-ritmo), José Luís Veloso (guitarra-baixo) e António José Albuquerque (órgão). Editam então o single «Stop That Game», com letra, , em inglês, de Carlos Bóris Correia, e «It's A New Day», com letra de Isabel Motta e Rui Ressurreição e, já na Movieplay, o single «Peter And Paul», cantado em inglês e em português. 

Os Álamos deram origem mais tarde, em 1970, ao Conjunto Universitário Hi-Fi, do qual fazia parte, além de Carlos Manuel Correia e Rui Ressurreição, este último já como colaborador, a voz feminina de Ana Maria. Na Parlophone, o Conjunto Uni-versitário Hi-FI editou um EP com «Back from the Shore», «Three Days of my Life» e «Words of a Mad», originais do grupo, e «I Call Your Name», uma versão dos Beatles no estilo dos Mamas & Papas. 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Ala dos Namorados

1993 Maio - Manuel Paulo, João Gil (ex-Trovante que, entretanto, havia colocado uma pausa no desenvolvimento do projecto Moby Dick) e João Monge (autor das letras) juntam--se para compor vários novos temas. Por esta altura, ainda não existia a noção de um grupo enquanto tal. 

Jun. - Faltava a voz, tendo a certa altura sido discutida a possibilidade de se investir numa gravação com diferentes cantores. Esta ideia foi, contudo, contrariada no dia do concerto de Carlos Paredes no Teatro São Luís, onde descobrem a voz de Nuno Guerreiro, uma rara voz de contratenor que participava como convidado, por sugestão do próprio mestre Paredes. Por essa altura, é também contactado o guitarrista José Moz Carrapa, veterano músico de estúdio que fizera parte dos Salada de Frutas. Está formado o grupo, que grava então as suas primeiras maquetas. Nuno Guerreiro participa no álbum Ave Mundi Luminar, de Rodrigo Leão e o Vox Ensemble. 

Set. A EMI-VC ouve as maquetas, e o seu interesse no grupo gera uma guerra surda pela sua contratação com a concorrente BMG, para a qual gravavam os Moby Dick. Mas é com a EMI-VC que o grupo assina finalmente contrato. Segue--se, até Dezembro, um período de pré-produção daquele que virá a ser o primeiro disco. 

Dez. — Até Janeiro, decorre a gravação e mistura do primeiro álbum da Ala dos Namorados. Apenas com base na audição das maquetas, a organização do Festival de Bruges, na Bélgica, convida o grupo a actuar. 

1994 Fev. No dia 3, a actuação no Festival de Bruges é o primeiro concerto do grupo. Poucos dias depois apresentam-se à imprensa lisboeta num pequeno concerto no bar BBB, no Bairro Alto, organizado pela EMI-VC para lançamento do álbum de estreia. 

Mar. Edição do álbum de estreia Ala dos Namorados. A voz de contratenor de Nuno Guerreiro gera polémica entre a crítica, que se divide na apreciação do disco, e o público, que pensa de início ser aquela uma voz feminina e reage com paixão quando descobre ser um homem a cantar. Muito ligado ao fado, o disco «soou quase a uma provocação», declara João Gil ao Diário de Notícias onde descreve a tradicional imagem do ser fadista como o homem que chega a casa tarde «e tu estás à minha espera, ainda te dou cacetada e no final levas comigo na cama, tudo isto num tom caprino». «Loucos de Lisboa», tema escolhido pela editora para primeiro single, obtém algum sucesso de rádio. Do álbum faz ainda parte «Ao Sul», tema originalmente concebido para a banda sonora do filme homónimo de Fernando Matos Silva, que é, ironicamente, gravado pela Ala dos Namorados antes ainda de o filme ser estreado. Primeira actuação em Portugal, no CCB. 

Ago. Até Dezembro trabalham na pré--produção do segundo disco. Através de um contacto com Vitorino, travam conhecimento com o coro do grupo tradicional alentejano Os Camponeses de Pias, com o qual ensaiam uma reconstrução de raiz de um dos temas novos, «Canção de Ida e Volta», que incluirão no segundo álbum. 

1995 Jan. Iniciam as gravações do segundo álbum, com o técnico de som inglês Rafe McKenna. 

Maio Edição de Por Minha Dama, segundo álbum do projecto, onde participam Nuno Rodrigues, do Vox Ensemble de Rodrigo Leão, o ex-Banda do Casaco, Celso de Carvalho e os Meninos d'Avó, além do coro Os Camponeses de Pias. Por Minha Dama é mais bem recebido pela crítica que o disco de estreia, mas o tema escolhido para primeiro single, «O Baile da Viela», não se consegue impor nas rádios, e será «A História do Zé Passarinho», uma marchinha popular que destoa do resto do álbum, a obter um expressivo sucesso nas rádios de onda média. Comercialmente, Por Minha Dama iguala os números do álbum de estreia, insuficientes contudo para se poder falar de um verdadeiro êxito comercial. 

Set. Actuam no Mercate de Musica Viva de Barcelona, em Espanha, em primeira par-te do pianista catalão Tete Montoliu. 

Nov. Apresentam-se ao vivo no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, na sua primeira grande produção de palco em Lisboa; o concerto é um sucesso de crítica e de público, com os convidados especiais António Chainho, Maria João, Mísia e Manuel Rocha, da Brigada Victor Jara. 

Dez. Actuam no concerto de homenagem a Luís Mateus, no Coliseu dos Recreios. 

1996 Abr. — Actuam no Printemps de Bourges, em França. Por Minha Dama é nomeado para o Prémio José Afonso, atribuído anualmente pela Câmara Municipal da Amadora. 

Jun. Actuam em Macau, num concerto comemorativo do 10 de Junho. Actuam em Paris, no estádio José Mayer. 

Jul. Entram em estúdio para gravar o seu terceiro álbum de originais; as sessões prolongar-se-ão até dia 2 de Agosto. Nas gravações participam os Vozes da Rádio, José Medeiros, Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa, José Salgueiro e Manuel Rocha, da Brigada Vítor Jara. José Moz Carrapa sai amigavelmente do grupo, que fica assim reduzido a trio. 

Nov. Editam o terceiro álbum, Alma, que inclui entre os seus 15 temas uma versão para «Gare d'Austerlitz», de José Mário Branco, e outra para o tema do filme O Padrinho, escrito por Nino Rota, com uma letra em português de João Monge, intitulada «Fado Siciliano». Mas o single escolhido é «Manto Negro», um tema épico com a participação de elementos do Coro da Gulbenkian, que encontra bastante resistência por parte da rádio e cujo vídeo é rodado no Estabelecimento Prisional de Monsanto. O álbum marca as primeiras reticências da crítica face ao trabalho da Ala dos Namorados. 



sábado, 27 de fevereiro de 2021

After Dark

1994 Set. Entre Londres e Lisboa, o produtor Jonathan Milier (Repórter Estrábico, Delfins, Ravel, Resistência, Madredeus) idealiza um projecto na área do acid jazz que junte as duas capitais num só disco, num encontro entre a cena jazz dance inglesa e a house portuguesa. 

1995 Um acordo discográfico é assinado com a BMG. O lançamento do disco chega a ser anunciado para o Verão, mas acaba por ser adiado. 

1996 

Fev.  Chega às rádios o CD single promocional com a canção «Leva-me», cantada por Marité (ex-Ravel). 

Mar. Na BMG, é editado After Dark, o álbum de estreia do projecto de Jonathan Milier. As canções apresentam vocalistas ingleses e portugueses: Kevin Saunders (Marden Hill), Michael Macdermott (Workshy), Marité (ex-Ravel) e Dora (Delfins). Pedro Ayres Magalhães (Madredeus) compõe e toca guitarra em "Lisbon Sunset". Fernando Cunha (Delfins) toca guitarra em «Leva-me». Outros músicos convidados são Mário Delgado (Resistência) mas guitarras, Neil Yates (Brand New Heavies) no trompete e Chris Bemand (Marden Hill) nas teclas.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Ágata

1959 Nasce, em Lisboa, a 11 de Novembro, Maria Fernanda de Sousa Santos Carreira. 

1973 Entra para o Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional. 

1978 Grava a versão portuguesa da canção da série de desenhos animados «Abelha Maia». Entra para as Cocktail, estreando-se num espectáculo em Tomar. 

1979 Grava a canção «Um Caso Meu», da telenovela da Globo, «D. Xepa». 

1981 Com as Cocktail concorre ao Festival RTP da Canção, com «Vem Esquecer o Passado». 

1982 Como Fernanda, apresenta-se a solo no Festival RTP da Canção em 1982, com «Vai mas Vem». 

1985 Terminada a vida conjunta das Cocktail, substitui temporariamente Lena Coelho nas Doce. 

1986 Entra definitivamente para as Doce para substituir Fá, que deixa o grupo. 

1989 Como Ágata, edita o single «Quentinha e Boa/Mexe-te Mais Um Pouco», na Discossete. O visual mudou radicalmente, mais provocador. 

1994 A canção «Perfume de Mulher» torna-se um dos maiores sucessos da música pimba. O disco vende cerca de 80 mil cópias. 

1996 Com um grupo de colegas, na sua maioria artistas na área do pimba, participa no disco Mãe Querida. 

1997 Representa Portugal no Festival da OTI com «Abandonada». Edita, depois, um álbum com o mesmo nome. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Adelaide Ferreira


Depois de uma primeira etapa em palcos de teatro e na música ligeira, muda de imagem e investe numa atitude diferente. 

1980 — Participa no filme e na banda sonora de Kilas, o Mau da Fita, cuja música é editada em álbum no selo Philips. 

1981 — Com o single «Baby Suicida», editado pela Vadeca, entra como nome de peso na nova geração de nomes do chamado rock português. Na mesma linha edita, pouco tempo depois, o single, «Bichos/Trânsito», este último já a contar com a participação do marido, Luís Fernando.  

1982 — Transfere-se para a Vimúsica, etiqueta independente, formada por Ilidio Viana, dissidente da Vadeca. Grava um álbum que não chega a ser editado. 

1984 — Inesperadamente classifica-se em segundo lugar no festival da OTI. 

1985 — Com a canção «Penso em Ti (Eu Sei)» representa Portugal no Festival da Canção. O single com a canção é editado pela PolyGram. 

1986 — Depois de sete singles editados, estreia-se nos álbuns com "Entre Um Coco e Um Adeus", na PolyGram, antecedido pelo single «Coqueirando», que obtém assinalável sucesso nas rádios (mas pouco impacte comercial). 

1987 — Após o divórcio com a PolyGram surge associada á MBP, uma independente, comandada por Marcelino de Brito. Grava um álbum, que será pouco divulgado. 

1995 — Remetida ao silêncio, desde a alvorada da década, volta a ser falada embora ofuscada, pela presença da irmã Mila Ferreira (que na Ovação edita "Milagre Num Só Céu"). 

1996 -- Regressa aos discos com "O Realizador Deve Estar Louco", lançado pela Vidisco. No dia 8 de Junho, canta para os soldados portugueses na Bósnia, ao lado de Luís Represas, Lena d'Água e Despe & Siga. Em Outubro participa no CD Racismo Não, editado pela AMI (Associação Médica Internacional). 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Alfredo Marceneiro

Alfredo Rodrigues Duarte nasceu numa casa da Travessa de Santa Quitéria, a São Bento, a 29 de Fevereiro de 1892 — uma data invulgar que apenas se repete de quatro em quatro anos. Por isso, a mãe registou oficialmente o nascimento como tendo ocorrido no dia 25 desse mês, data de aniversário do pai, que era mestre de corte e tinha uma pequena sapataria na Rua de São Bento. 

Foi com a mãe que aprendeu a cantar, ainda criança, durante as «descamisadas» do milho no Cadaval, de onde a sua família era originária, tendo migrado para Lisboa pouco antes do seu nascimento. Começou depois a participar nas «cegadas» de rua, desfiles carnavalescos onde o público o viu pela primeira vez em 1908, aos 17 anos, vestido de mulher, numa pantomima inspirada pelo visionamento do filme mudo A Morte do Duque de Guise. Apesar de ser um entre muitos dos participantes nesse desfile (ensaiado no pátio da Vila Maia, junto á Rua Domingos Sequeira), a sua voz foi logo notada. 

Gostaria de ter estudado música, vocação que a família igualmente acarinhava. Mas em 1906, aos 14 anos, ficara sem pai e teve de aprender um oficio. Nessa época a família habitava na Vila Mendonça, na Rua de Santo Amaro, à Estrela, uma vez que a primeira casa havia sido demolida para dar lugar ao alargamento da Avenida Pedro Alvares Cabral. Em 1909, haviam-se mudado para a actual Rua Silva Carvalho, em Campo de Ourique, nessa época chamada Rua de São Luís. Começou por ser aprendiz de encadernador na oficina de Paulino Ferreira — aparentemente só para se sentir perto do fadista Júlio Janota, que ali trabalhava. Mas como esta arte o prendia até às nove horas da noite — deixando-lhe pouco tempo para participar nas «cegadas» — mudou de oficio e tornou-se marceneiro. 

Contava que o seu primeiro trabalho neste ramo fora uma cruz de madeira para colocar na sepultura do fadista Manuel Rego, que trabalhava como chefe do pessoal menor do Ministério das Subsistências e a quem devia as primeiras duas letras escritas propositadamente para si. Com dois amigos, alugou depois uma casa para montar a oficina e foi aí que se dedicou a aprender os segredos da profissão, construindo camas, guarda-fatos e outras peças de mobiliário. 

Chegou a participar na construção de quatro navios de guerra quando trabalhou junto aos estaleiros da Rocha do Conde de Óbidos. Recordaria os seus primeiros passos como artista nessa Lisboa do princípio do século alguns anos mais tarde, numa entrevista: «Depois do Carnaval, o tempo das cegadas dava lugar aos bailes. Em cada bairro havia um, com bufete e "cavalinho" (conjuntos musicais com um mínimo de cinco figuras). Se tivesse mais músicos, o baile já era caro... Nos intervalos, os bailarinos dois rapazes e duas raparigas, ou quatro raparigas — dançavam ao som de cantigas que ninguém sabia quem tinha feito. 

A certa altura dizia-se "Rapazes vamos, vamos ao Fado", e a gente cantava, encostados a uma valeta. Comecei a cantar com os rapazes do meu tempo. Tocadores: o Aires dos Fadinhos, o António da Mina, o Júlio Correia, o José Marques, o Armando Machado, o José Graça e o Júlio Proença. íamos para o Jardim da Parada. Depois começaram as Festas de Caridade e, como não conhecíamos os poetas, levávamos latas de quiosque, que custavam um vintém. 

Também aproveitávamos os versos que a Voz do Operário publicava semanalmente, e os dos jornais A Alma do Fado, A Guitarra de Portugal e A Canção do Sul, estes últimos fundados por Carlos Harrington e Linhares Barbosa.» Percorria também os «cafés de camareiras», ilumi-ados a gás, na Rua dos Mastros, em Alcântara, na Mouraria e no Bairro Alto; aqui, no café de Maria da Luz, era acompanhado ao piano por um músico invisual conhecido como «O Ceguinho da Luz». Parava também no Catorze do Rato, uma casa de jogo que o dono acabou por transformar em casa de fado, onde Alfredo Marceneiro cantava acompanhado por piano, bandolim e guitarra. Foi aí que conheceu o poeta popular Manuel Soares, que acabou por lhe oferecer duas letras para fado. «Eu, até então, só cantava para as raparigas e rapazes da minha idade. 

Pois o Manuel Soares, do Inten-ente, ouviu-me e deu-me duas das suas letras. Mais tarde, o Joaquim Câmara — também cantador e dos de fama — levou-me à Carioca da Trindade, uma taberna que tinha por dono um homem chamado Silva e onde se cantava o fado. Aí conheci o Manuel Rego, que começou a fazer letras para mim.» Foi também no Catorze do Rato, e nos cafés da Rua da Atalaia, que ganhou fama ao tornar-se o primeiro fadista a cantar de pé, «para eles me verem bem», e atrás dos guitarristas, normalmente em situações de desgarrada ou desafio entre cantores que, muitas vezes, geravam conflitos entre a assistência — «nós os cantores, ficávamos na calma, como fazem hoje os tipos da luta livre». Mas somente no início dos anos 20 passou a ser conhecido com o apelido de «Marceneiro», ao ser assim apresentado no cartaz de uma festa organizada por Manuel Soares, Alfredo Correeiro e José Bacalhau. Até então, muitos dos seus conhecidos — como o guitarrista José Marques, que o acompanhava habitualmente — tratavam-no por «Alfredo Lulu» por «andar sempre todo catita», no vestir e no andar. Um dos seus primeiros traços de distinção foi o laço, mais tarde substituído por um lenço de seda ao pescoço, com nó largo. No entanto, normalmente cantava a troco de comida e bebida, a que os admiradores acrescentavam no final da noite um envelope com uma maquia recolhida entre todos, a qual era variável. 

Depois de Manuel Rego e Manuel Soares, foram muitos os poetas populares de Lisboa que escreveram canções para a voz de Alfredo Marceneiro, podendo citar-se, entre outros, os nomes de Manuel Rego, Henrique Rego, Fernando Teles, Avelino de Sousa, Francisco Viana, Silva Tavares, Carlos Conde, Frederico de Brito, António Amargo, Custódio Cutileiro (fundador da Praça de Toiros de Almada) e Linhares Barbosa. Para que os cantadores de fado conseguissem ganhar o seu sustento, uma convenção explícita entre todos levava-os a cantarem apenas uma ou duas noites por semana. Num tempo em que não existiam direitos de autor — «Cada um cantava o seu reportório e mais nada» — Alfredo Marceneiro foi, com Armandinho, um dos artistas fundadores da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, em 1927. 

Só em 1924 — o ano em que participou numa Festa do Fado organizada pelo poeta António Botto, no Teatro São Luís — surgiu o seu primeiro contrato para cantar, no Chiado Terrasse, onde esteve durante dois meses acompanhado por Júlio Correia e Artur Careca. Ganhava quarenta escudos por noite. De dia trabalhava como marceneiro na oficina de Diamantino Tojal — na Vila Berta, à Graça — e no fim do dia actuava no Chiado Terrasse, onde ficava até á meia noite. «Nesse tempo, o Armandinho (Armando Freire) ganhava cinquenta escudos por noite para tocar e ofereciam-lhe também a ceia. O Armandinho era um génio a tocar guitarra. Ele musicava o estilo do cantador. Só depois surgiram Jaime Santos, Carvalhinho e tantos outros. Mas o Armandinho era o maior. Os fadistas da minha época criaram um tipo de fado que o Armandinho musicou. Ora, dentro dessa toada musical, cabiam todas as letras em redondilha maior de sete sílabas.»

Depois, foi contratado para o Olímpia, e logo a seguir para o Ferro de Engomar, seguindo-se outros estabelecimentos, como o Luar da Avenida ou o Solar da Alegria. Foi também um dos primeiros fadistas a actuar nos teatros e retiros do Parque Mayer — nomeadamente no Júlio das Farturas, com Ermelinda Vitória e Renato Varela, onde popularizou o tema «Olhos Fatais» e a desgarrada que mantinha com o Miúdo da Bica (Fernando Farinha). Num concurso para fadistas organizado pelo dono da Rosa Branca, um estabelecimento perto da Rua Morais Soares, ganhou a medalha após ter estado uma hora e vinte minutos em cena para grande gáudio da assistência. 

Fez a sua primeira gravação fonográfica em 1929, mas a experiência não o entusiasmou porque gostava de ver o público enquanto estava a cantar, para poder analisar as suas reações. Escreveu vários fados que depois foram interpretados por outros: «Lembro-me de Ti», «Pierrot», «Louco», «Cravo», «Cuf», «Mocita dos Caraçóis», «Olhos Fatais», «Bailarico», «Laranjeira», «A Casa da Mariquinhas», este com música de sua autoria e letra de Silva Tavares. 

Em 1930 entrou numa peça de teatro escrita por Avelino de Sousa e levada á cena pelo empresário Lopo Lauer. Seis anos mais tarde, no Teatro Variedades, participou também numa opereta intitulada História do Fado, cujo elenco incluía Beatriz Costa e Vasco Santana. Raramente visto na televisão, a sua única aparição cinematográfica foi no filme O Feitiço do Império, com Ribeirinho e António Vilar. 

Foi ele quem apadrinhou e lançou nomes bem conhecidos do meio fadista como Hermínia Silva e Amália Rodrigues — que começou a cantar pela mão de Marceneiro, no Retiro da Severa, em Lisboa, num elenco que incluía José Porfírio. Em 1959, aos 67 anos, obteve a reforma da Caixa de Previdência dos Artistas de Variedades e recordava o princípio do século como o tempo em que «o fadista cantava por gosto. Não interessava muito se havia ou não havia público. Cantávamos nas ruas, fazíamos serenatas e reuníamo-nos aqui ou ali para cantarmos ao desafio. O mais frequente era irmos a festas em casas particulares, mas sempre sem combinarmos preços. Depois apareceram as casas típicas e começou-se a ganhar mais regularmente. Cantei em todas, apesar de só ter recebido em meia dúzia delas, tais como o Machado, o Faia, o Luso, a Parreirinha, a Severa, a Viela, e pouco mais...». 

Na verdade, nunca trocou a sua profissão de marceneiro pela de artista. O seu primeiro disco estereofónico foi editado apenas em 1961, uma colectânea «com o melhor da canção nacional» e o título The Fabulous Marceneiro. A 25 de Maio de 1963 foi-lhe feita uma festa de homenagem intitulada «Madrugada do Fado», no Teatro São Luís, com início á meia-noite e organização a cargo do empresário Vasco Morgado, da locutora Maria Leonor e do actor Raul Solnado. Figura mítica de Lisboa, o Ti Alfredo, como era conhecido pelos fadistas e os amigos, não abandonaria nenhuma das suas actividades após a obtenção da reforma. 

No fado, enquanto autor e intérprete exímio dos quatro géneros da canção popular lisboeta («Fado Bacalhau», «Fado Corrido», «Fado Menor» e «Fado Mouraria») foi um dos expoentes máximos de todos os tempos, sem nunca ter saído do Pais, e raras vezes de Lisboa: «Eu que me chamo Alfredo, mas Duarte/ Sou para toda a gente o Marceneiro/ Este apelido em mim, que pouco valho/ Da minha honestidade é forte indício/ Sou marceneiro sim, porque trabalho/ Marceneiro no fado e no oficio.» 

A sua última subida ao palco ocorreu a 24 de Junho de 1980, quando recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa das mãos do então presidente da Câmara Municipal, Krus Abecasis — curiosamente, uma vez mais no Teatro São Luís. Nesse mesmo ano foi figura de destaque nas Festas de Lisboa, quando a marcha do Bairro Alto lhe foi dedicada. Mas já com noventa anos, era ainda uma figura da noite lisboeta, cujas casas típicas percorria até altas horas da madrugada. 

Raramente era visto durante o dia e orgulhava-se de, com essa idade, os seus cabelos continuarem pretos, sem necessidade de os pintar. Sobre o fado, «uma canção de revolta e amorosa», gostava de dizer que «Isto tem uma técnica: as suspensões e as paragens têm de ser dadas consoante o pensamento do autor e não ao sabor do improviso. Ao dizer os versos, tem de existir uma aproximação do intérprete com a letra. Só assim a plateia vive o fado.» Nos versos de um dos seus fados cantava que: «Com lídima expressão e voz sentida/ Hei-de cumprir no Mundo a minha sorte/ Alfredo Marceneiro toda a vida/ Para cantar o fado até à morte.» 

Faleceu na manhã de 26 de Junho de 1982, com 91 anos cumpridos. A filha disse aos jornalistas que Alfredo Marceneiro: «Nunca esteve doente, sofria apenas de velhice.» Uma última frase célebre do fadista, retirada de uma entrevista à Ilustração Portugueza, em 1931: «O meu maior desgosto foi o gramofone, que veio industrializar o fado. Que vergonha!» Em 1989, antecipando a comemoração do centenário do nascimento do fadista, a EMI-Valentim de Carvalho publicou o duplo álbum O Melhor de Alfredo Marceneiro. O seu neto, Vítor Duarte, publicou em 1995 uma biografia de Alfredo Marceneiro, acompanhada por urna compilação em CD (ed. Ovação). 

DISCOGRAFIA: 

1961 The Fabulous Marceneiro (LP, Colum-bia). 

1964 Há Festa na Mouraria (LP, Columbia). 

1972 Nos Tempos em Que Eu Cantava (LP, Columbia). 

1982 Saudade, (LP, Valentim de Carvalho). 

1989 O Melhor de Alfredo Marceneiro (LP, EMI). 

1993 O Melhor de Alfredo Marceneiro, vol. 2 (LP, EMI). 

1995 Recordar Marceneiro (CD, Ovação). 

1996 A Casa da Mariquinhas (CD, Carave-la-EM!). 

1997 Biografia do Fado (CD, EM1). 



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Adriano Correia de Oliveira

1942 — Nasce a 9 de Abril no Porto, com o nome completo de Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira, no seio de uma família tradicionalista e católica. Faz a instrução primária em Avintes e o curso do liceu no Porto, primeiro no Colégio Almeida Garrett e depois no Liceu Alexandre Herculano. Em Avintes, inicia--se no teatro amador e é co-fundador da União Académica de Avintes. 

1959 — Com 17 anos, ruma a Coimbra, onde estuda Direito, curso que deixa preso por uma cadeira. Na cidade universitária desenvolve grande actividade nas organizações estudantis, nomeadamente no Orfeão Académico, onde é solista, no Grupo Universitário de Danças Regionais e no Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC). Toca guitarra eléctrica no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica, do qual fazem parte José Niza, Daniel Proença de Carvalho e Rui Ressurreição. Os contactos com os músicos ligados ao fado de Coimbra estabelece-se de imediato. Adriano conhece o núcleo de artistas que vai transformar a tradição do fado coimbrão, naquele que é o primeiro passo para ir além da tradição, que caracterizará toda a revolução musical introduzida nos anos seguintes pelos impropriamente designados «baladeiros». António Portugal, Rui Pato, José Niza, António Bernardino são os nomes mais importantes do núcleo original, além de, obvia e naturalmente, José Afonso, a primeira grande influência do cantor e compositor. Canções de Zeca Afonso como «Menino do Bairro Negro» ou «Os Vampiros» mostram aos novos músicos uma outra realidade, além da reflectida pelo fado tradicional.

1960 — Adriano edita o primeiro EP "Noite de Coimbra", que integra as canções «Fado da Mentira», «Balada dos Sinos», «Canta Coração», e «Chula». António Portugal e Rui Pato acompanham os primeiros passos do novel compositor que, desde muito cedo, toma consciência das suas limitações ao nível da escrita poética, e opta por dedicar-se apenas à composição e ao canto. 

1963 — O primeiro LP de Adriano é Fados de Coimbra e reúne temas editados desde 1960 em três EP. Um disco onde se encontra a primeira versão da «Trova do Vento Que Passa», sobre um poema de Manuel Alegre, outra peça central do movimento cultural coimbrão e da contestação estudantil à ditadura. Posteriormente grava o segundo LP, Adriano Correia de Oliveira. «Menina dos Olhos Tristes», «Trova do Amor Lusíada», «Pedro Soldado», «Exílio», «Rosa de Sangue» e «Canção com Lágrimas» são temas do disco. António Cabral, António Ferreira Guedes, Luís Andrade e Urbano Tavares Rodrigues são outros poetas que Adriano canta, além de Alegre. 1964 Viaja até Paris onde conhece Luís Cilia, que permanecerá outra das suas grandes referências. Sempre activo na vida académica, não tardará em trocar o desporto — sagrou-se campeão nacional de voleibol pela Briosa — pelo crescente envolvimento na luta política. A crise de 69, porém, já não o encontrará na cidade do Mondego. 

1968 — Quando lhe falta apenas uma cadeira para terminar o curso de Direito, Adriano Correia de Oliveira troca Coimbra por Lisboa. Trabalha no gabinete de imprensa da FIL (Feira Internacional de Lisboa) e é produtor na editora onde sempre gravou. Entre este ano e 1971 grava a trilogia formada pelos álbuns "O Canto e as Armas", inteiramente dedicado à poesia de Manuel Alegre, "Cantaremos" e "Gente d'Aqui e de Agora". Destes três discos sairão muitos dos temas fundamentais de Adriano, que rapidamente são transformados em hinos da resistência ao Estado Novo. «Raiz», «E a Carne se Fez Verbo», «Peregrinação» e a segunda versão da «Trova» surgem em O Canto e as Armas. 

1969 — Ganha o Prémio Pozal Domingues. 

1971 — Ano da edição de Gente d'Aqui e de Agora, disco onde se inclui um poema de Assis Pacheco na contracapa e 11 canções, como «O Senhor Morgado», «História do Quadrilheiro Manuel Domingos Louzeiro», «Cantar de Emigração» e «Como Hei-de Amar Serenamente». José Niza é o principal colaborador de Adriano neste disco, que precede um silêncio voluntário de quatro anos, uma vez que o cantor recusa enviar os seus textos à Comissão de Censura. Neste álbum, José Calvário, com 20 anos, faz o seu primeiro arranjo como maestro na canção «E Alegre se Fez Triste». 

1975 — Em pleno ano quente da Revolução, Adriano edita o disco "Que Nunca Mais", com direcção musical de Fausto, e colaboração de Carlos Paredes, reunindo material sobre textos do escritor Manuel da Fonseca, que trabalhara ao longo dos últimos anos da ditadura. O disco estava pronto a ser publicado antes do 25 de Abril e o cantor disposto a assumir todos os riscos por essa atitude. "Que Nunca Mais" leva a revista britânica Music Week a eleger o cantor de Avintes como artista do ano. Até à sua morte editará ainda um sétimo álbum. 

1979 — Fiel ao espírito de grupo que sempre o animara, Adriano Correia de Oliveira é um dos fundadores da Cantarabril, cooperativa de músicos ligada ao Partido Comunista Português, com a qual entrará em ruptura dois anos depois, num processo pouco digno. 

1981 — E a hora da ruptura com alguns dos companheiros de luta, mas não com os mais importantes. Cilia, Fausto ou Zeca Afonso permanecerão ao lado de Adriano quando a direcção da Cantarabril decide expulsá-lo. Motivo: uma dívida de 40 contos e a «inadaptação de Adriano à perspectiva mercantilista de mercado». A saúde do cantor já está então consideravelmente degradada devido ao consumo imoderado de álcool. As suas actuações no último ano de vida, nomeadamente num concerto de apoio aos jornalistas da ANOP, ameaçados de desemprego, são fortemente afectadas por esse problema. A cooperativa ia endossando os convites dirigidos a Adriano para outros cantores da casa. Na hora má, Adriano Correia de Oliveira não contou com o apoio dos artistas do partido a quem dedicara a sua vida, cujo único acto de solidariedade foi a expulsão cantor. Luís Cilia deixou a Cantarabril devido a caso. Adriana foi recebido na cooperativa Era Nova, ligada a cantores mais próximos da extrema-esquerda, como Fausto e José Mário Branco. Dois anos mais tarde, numa sessão assinalando o primeiro aniversário da morte do cantor, na presença de vários membros da Cantarabril, o jornalista Júlio Pinto, também ex-militante do PCP, acusaria de «assassinos» os que o expulsaram da cooperativa. 

1982 — Aos 40 anos, num sábado, dia 16 de Outubro, Adriano Correia de Oliveira morre na terra natal, nos braços da mãe, vitimado por uma hemorragia no esófago. Deixou projectos inacabados, nomeadamente uma regravação dos seus temas mais antigos. 

1994 — Doze anos após a morte de Adriano Correia de Oliveira, a Movieplay reedita o seu material, numa caixa incluindo os sete álbuns e quatro EP que gravou. 

DISCOGRAFIA: 

1960 - Noite de Coimbra EP, (Orfeu). 

1961 - Balada do Estudante (EP, Orfeu); Fados de Coimbra (EP, Orfeu). 

1962 - Fados de Coimbra 2 (EP, Orfeu). 

1963 - Trova do Vento Que Passa (EP, Orfeu); Fados de Coimbra (LP, Orfeu). 

1964 - Lira (EP, Orfeu); Menina dos Olhos Tristes (EP, Orfeu). 

1967 - Elegia (EP, Orfeu); Adriano Correia de Oliveira (LP, Orfeu). 

1968 - Adriano Correia de Oliveira (EP, Orfeu); Rosa de Sangue (EP, Orfeu). 

1969 - O Canto e as Armas (LP, Orfeu). 

1970 - Cansaremos (LP, Orfeu). 

1971 - Trova do Vento Que Passa 2 (EP, Orfeu); Cantar de Emigração (EP, Orfeu); Gente d'Aqui e de Agora (LP, Orfeu). 

1972 - Batalha de Alcácer-Quibir Orfeu); Lágrima de Preta (EP, Orfeu). 

1973 - O Senhor Morgado (EP, Orfeu); Fados de Coimbra (LP, Orfeu). 

1974 - A Vila de Alvito (EP, Orfeu). 

1975 - Que Nunca Mais (LP, Orfeu). 

1976 - Para Rosalia (EP, Orfeu). 

1978 - «Noticias d'Abril» (single, Orfeu). 

1980 - Cantigas Portuguesas (LP, Orfeu). 

1983 - Memória de Adriano (duplo LP, Orfeu). 


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Alberto Ribeiro



Alberto Ribeiro nasceu no Norte do País, em Ermesinde, no dia 29 de Fevereiro de 1920. Na família havia mais artistas. Um irmão e uma irmã também cantavam, tendo feito porém carreiras bem mais discretas. 

Coube a Alberto Ribeiro um maior quinhão da sorte. Com a sua voz incrivelmente extensa, de grande facilidade nos agudos e de timbre quente, podia ter sido em qualquer parte do Mundo um grande cantor. 

Em Portugal, ainda é recordado como uma voz única, a despeito da sua inexplicável decisão de se afastar dos palcos no apogeu da sua carreira. Fenómeno de popularidade surgiu, ao lado de Amália Rodrigues, como intérprete do filme Capas Negras que foi um êxito do cinema nacional. A partir de então, Alberto Ribeiro foi galã de cinema em várias películas nacionais e estrangeiras. 

No teatro, numerosas operetas encontraram em Alberto Ribeiro o intérprete ideal. Afastado, prematuramente, regressou 25 anos depois da primeira apresentação da opereta Nazaré, mas o regresso foi meteórico, remetendo-se novamente Alberto Ribeiro ao silêncio.

Discografia: 
1961 — Alberto Ribeiro Canta (EP, A Voz Do Dono). 
1964 — Mondego Sonhador (EP, Decca). 
1965 — Alberto Ribeiro (EP, Decca). 
1978 — Os Maiores Sucessos de Alberto Ribeiro (LP, Decca). 
1984 — O Melhor de Alber-to Ribeiro (LP, EMI). 
1985 — Saudade (LP, EMI). 
1992 —O Melhor de Alberto Ribeiro (CD, EMI). 
1994 — O Melhor dos Melhores (CD, Movieplay).