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sexta-feira, 20 de março de 2026

Anúncio Coca-Cola - Sensação de Viver


A história da Coca-Cola começa no final do século XIX, nos Estados Unidos, e tornou-se um dos maiores exemplos de sucesso no mundo das marcas.

A bebida foi criada em 1886 pelo farmacêutico John Stith Pemberton, na cidade de Atlanta. Inicialmente, a Coca-Cola era vendida como um tónico medicinal numa farmácia local, sendo anunciada como uma bebida capaz de aliviar o cansaço e melhorar o bem-estar. A mistura original incluía extratos de folhas de coca e nozes de cola, o que deu origem ao nome “Coca-Cola”.

O nome e o famoso logótipo foram criados por Frank Mason Robinson, contador de Pemberton, que também foi responsável pela caligrafia icónica que ainda hoje caracteriza a marca.

Após a morte de Pemberton, o empresário Asa Griggs Candler adquiriu os direitos da fórmula e transformou a bebida num negócio de grande escala. Foi ele quem investiu fortemente em publicidade e distribuição, ajudando a Coca-Cola a ganhar popularidade em todo o território americano.

Um dos momentos mais importantes da história da marca ocorreu em 1899, quando foi assinado o primeiro acordo para engarrafamento da bebida, permitindo que a Coca-Cola fosse vendida fora das fontes de soda. Poucos anos depois, em 1915, foi criada a famosa garrafa de vidro com formato curvilíneo, pensada para ser reconhecida ao toque ou mesmo no escuro.

Ao longo do século XX, a Coca-Cola expandiu-se internacionalmente, tornando-se um símbolo da cultura americana e da globalização. A marca esteve presente em eventos históricos e momentos marcantes, incluindo a sua distribuição às tropas durante a Segunda Guerra Mundial, o que ajudou a consolidar a sua presença em vários países.

A empresa responsável pela marca, a The Coca-Cola Company, continuou a inovar ao longo das décadas, lançando novos produtos, como versões sem açúcar e outras bebidas. A marca também se destacou por campanhas publicitárias memoráveis, associadas a valores como felicidade, partilha e união — incluindo iniciativas globais como “Open Happiness” e “Taste the Feeling”.

Hoje, a Coca-Cola é uma das marcas mais reconhecidas do mundo, vendida em praticamente todos os países. Mais do que um simples refrigerante, tornou-se um ícone cultural que atravessa gerações, mantendo-se relevante através da sua capacidade de adaptação e da forte ligação emocional com os consumidores.

Anúncio Carlsberg


A história da Carlsberg começa em 1847, na cidade de Copenhaga, quando o cervejeiro J.C. Jacobsen fundou a sua fábrica de cerveja com o objetivo de produzir uma bebida de elevada qualidade e consistência.

O nome “Carlsberg” tem um significado especial: “Carl” vem do nome do filho do fundador, Carl Jacobsen, e “berg” significa “colina” em dinamarquês, referindo-se ao local onde a cervejaria foi construída.

Desde o início, a Carlsberg destacou-se pela sua aposta na ciência e na inovação. Em 1875, J.C. Jacobsen criou o Carlsberg Laboratory, um centro de investigação dedicado ao estudo da fermentação e da produção de cerveja. Foi neste laboratório que, em 1883, o cientista Emil Christian Hansen conseguiu isolar uma cultura pura de levedura, conhecida como Saccharomyces carlsbergensis, um avanço revolucionário que permitiu melhorar a qualidade e a consistência da cerveja em todo o mundo.

Ao longo do final do século XIX e início do século XX, a Carlsberg expandiu-se internacionalmente, tornando-se uma das marcas de cerveja mais reconhecidas globalmente. A empresa também ficou conhecida pelo seu compromisso com a ciência, apoiando diversas áreas de investigação através da Carlsberg Foundation, criada pelo próprio fundador.

Durante o século XX, a Carlsberg continuou a crescer através de parcerias, aquisições e inovação nos seus produtos. Tornou-se especialmente popular na Europa e, mais tarde, em mercados internacionais, incluindo a Portugal, onde a marca é amplamente consumida.

Hoje, a Carlsberg é uma das maiores cervejeiras do mundo, presente em dezenas de países. Mais do que uma simples marca de cerveja, representa uma combinação de tradição, ciência e inovação, mantendo o lema que a tornou famosa: “Provavelmente a melhor cerveja do mundo”.

Anúncio Cornetto


A história do Cornetto é um exemplo de como uma ideia simples pode transformar-se num ícone global no mundo dos gelados.

O Cornetto tem as suas origens na Itália, onde o nome “cornetto” significa “pequeno cone”, inspirado no formato do produto. Embora os gelados em cone já existissem desde o início do século XX, foi apenas em 1959 que o italiano Spica desenvolveu uma versão inovadora: um cone de bolacha cuja parte interna era revestida com uma camada de chocolate. Esta solução evitava que o gelado amolecesse o cone, mantendo-o estaladiço até ao fim — uma melhoria decisiva na experiência de consumo.

Na década de 1970, a marca foi adquirida pela Unilever, que viu no Cornetto um enorme potencial internacional. A partir daí, o produto foi lançado em vários países europeus e rapidamente se tornou um sucesso, graças à sua combinação única de textura crocante, gelado cremoso e a clássica ponta de chocolate no fundo do cone.

Durante os anos 1980 e 1990, o Cornetto consolidou-se como um símbolo de verão e juventude, impulsionado por campanhas publicitárias memoráveis — muitas delas associadas à música e a momentos românticos. Tornou-se particularmente popular em países como Portugal, onde passou a fazer parte das escolhas mais comuns nas praias e geladarias.

Com o passar do tempo, o Cornetto foi evoluindo, introduzindo novas versões e sabores, como chocolate, morango, baunilha, caramelo e edições especiais. A marca também apostou em diferentes formatos e linhas premium, mantendo-se relevante num mercado cada vez mais competitivo.

Hoje, o Cornetto é um dos gelados mais reconhecidos do mundo, representando não só uma inovação técnica na indústria alimentar, mas também uma experiência emocional associada a momentos de lazer, partilha e prazer — especialmente nos dias quentes de verão.

Anúncio Royco Cup-a-Soup


A Royco Cup-a-Soup é um produto emblemático no segmento das sopas instantâneas, conhecido pela sua praticidade e rapidez de preparação. A sua história está ligada à evolução dos hábitos alimentares modernos, especialmente à necessidade de refeições rápidas, leves e acessíveis no dia a dia.

A marca Royco surgiu na Europa como parte do desenvolvimento da indústria de alimentos processados no século XX, numa época em que grandes empresas alimentares começaram a investir em produtos convenientes para consumidores com rotinas cada vez mais ocupadas. Mais tarde, a marca passou a integrar o portefólio da Unilever, uma das maiores multinacionais do setor alimentar e de produtos de consumo.

O conceito Cup-a-Soup foi introduzido como uma solução inovadora: uma sopa desidratada em pó, pronta a ser preparada apenas com a adição de água quente. Esta ideia simples transformou a forma como muitas pessoas consumiam sopa, tornando-a acessível em qualquer lugar — no trabalho, em viagem ou em casa, sem necessidade de cozinhar.

Durante as décadas de 1970 e 1980, o produto ganhou grande popularidade em vários países europeus, incluindo Portugal, graças à sua conveniência e variedade de sabores, como galinha, tomate e legumes. A facilidade de preparação — bastando uma chávena e água quente — tornou-se um dos seus maiores atrativos, especialmente entre estudantes e profissionais.

Ao longo do tempo, a Royco Cup-a-Soup foi evoluindo para acompanhar as preferências dos consumidores, introduzindo novas receitas, opções com menos sal, versões mais cremosas e combinações de ingredientes mais sofisticadas. A marca também apostou em campanhas publicitárias que reforçavam a ideia de pausa reconfortante durante o dia.

Hoje, a Royco Cup-a-Soup continua a ser uma referência no mercado das sopas instantâneas, representando um equilíbrio entre tradição e conveniência, e mantendo o seu papel como uma solução prática para quem procura uma refeição rápida e reconfortante.

Anúncio Longa Vida


A Longa Vida é uma marca bastante conhecida em Portugal, especialmente associada ao leite UHT (ultrapasteurizado), um produto que revolucionou a forma como o leite é consumido e armazenado.

A história da Longa Vida está ligada ao desenvolvimento da indústria alimentar moderna e à necessidade de aumentar a durabilidade dos produtos lácteos. Antes da popularização do leite UHT, o leite fresco tinha um prazo de validade muito curto e precisava de ser mantido sempre refrigerado, o que dificultava a sua distribuição e consumo, sobretudo em zonas mais afastadas dos centros urbanos.

Foi com o avanço da tecnologia de ultrapasteurização, durante o século XX, que surgiu a possibilidade de aquecer o leite a temperaturas muito elevadas por poucos segundos, eliminando microrganismos sem comprometer significativamente o valor nutricional. Este processo permitiu criar o chamado “leite de longa duração”, que podia ser armazenado durante meses sem necessidade de refrigeração enquanto fechado.

A marca Longa Vida destacou-se precisamente por trazer esse conceito ao mercado português, tornando-se sinónimo de praticidade, segurança alimentar e inovação. Com embalagens práticas e resistentes, o leite Longa Vida passou a fazer parte do quotidiano das famílias, sendo fácil de transportar, armazenar e consumir.

Ao longo dos anos, a marca foi diversificando a sua oferta, incluindo diferentes tipos de leite (meio-gordo, magro, enriquecido, sem lactose) e outros produtos lácteos, acompanhando as mudanças nos hábitos alimentares e nas necessidades dos consumidores.

Assim, a Longa Vida não representa apenas uma marca, mas também uma mudança importante na forma como o leite é produzido, distribuído e consumido — marcando uma etapa significativa na evolução da indústria alimentar em Portugal.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Anúncio Ruffles


A história das Ruffles começa nos Estados Unidos, como uma inovação dentro do universo das batatas fritas. A marca ganhou destaque ao introduzir um formato diferente: batatas onduladas, criadas para oferecer mais crocância e melhor retenção de sabor em comparação com as versões lisas tradicionais.
Nos anos 1950, a ideia das batatas onduladas foi patenteada por um inventor norte-americano, e, mais tarde, a marca Ruffles foi adquirida pela Frito-Lay, uma das maiores empresas de snacks do mundo. Sob a gestão da Frito-Lay — que faz parte da PepsiCo — as Ruffles expandiram-se rapidamente, tornando-se um produto popular em diversos países.
Ao longo das décadas, a marca consolidou-se graças à sua identidade única: as ondulações mais espessas, que não só aumentam a textura como também permitem suportar molhos e intensificam o sabor. Essa característica tornou-se o principal diferencial da Ruffles no mercado global de snacks.
Hoje, Ruffles é reconhecida internacionalmente, com uma grande variedade de sabores adaptados a diferentes culturas e preferências, mantendo sempre a sua essência original: uma batata frita mais robusta, crocante e marcante.

Anúncio Coca-Cola Light


A Coca-Cola Light (conhecida em muitos países como Diet Coke) surgiu como resposta a uma mudança importante nos hábitos de consumo durante o final do século XX, quando cresceu a procura por bebidas com menos calorias e sem açúcar.

Lançada em 1982 pela The Coca-Cola Company, a Coca-Cola Light foi a primeira grande extensão da marca Coca-Cola original. Ao contrário de simplesmente adaptar a fórmula clássica, a empresa desenvolveu uma receita própria, com adoçantes artificiais, para criar um sabor distinto, pensado especificamente para consumidores preocupados com a ingestão calórica.

O lançamento foi um marco histórico, tornando-se rapidamente um sucesso global e uma das bebidas “diet” mais vendidas do mundo. Esse êxito refletia não só uma tendência alimentar, mas também mudanças culturais ligadas ao estilo de vida, saúde e bem-estar, especialmente nas décadas de 1980 e 1990.

Ao longo dos anos, a Coca-Cola Light passou por diversas campanhas de marketing icónicas e evoluções na imagem, posicionando-se frequentemente como uma bebida moderna e associada à elegância e ao estilo urbano. Em alguns mercados, coexistiu com a Coca-Cola Zero Sugar, lançada mais tarde para oferecer um sabor ainda mais próximo da versão original.

Hoje, a Coca-Cola Light continua a ser uma referência no segmento de refrigerantes sem açúcar, mantendo o seu lugar como um símbolo da adaptação das grandes marcas às novas exigências dos consumidores.

Azeite Gallo


A história do azeite Gallo está profundamente ligada à tradição oleícola portuguesa e ao desenvolvimento da indústria alimentar no país. A marca foi fundada no início do século XX, em 1919, pela empresa Victor Guedes, que viria a tornar-se uma referência na produção e comercialização de azeite.

Desde o início, o símbolo do galo foi escolhido como elemento central da identidade da marca, representando valores como confiança, autenticidade e ligação às raízes rurais. Com o passar dos anos, o azeite Gallo destacou-se pela consistência da qualidade e pela capacidade de combinar métodos tradicionais de extração com inovações tecnológicas.

Ao longo do século XX, a marca expandiu-se para além de Portugal, levando o azeite português a mercados internacionais e acompanhando as comunidades emigrantes. Essa internacionalização consolidou o Gallo como um dos nomes mais reconhecidos no setor oleícola, especialmente em países com forte presença da diáspora portuguesa.

Já no século XXI, o azeite Gallo reforçou o seu compromisso com a qualidade, a sustentabilidade e a rastreabilidade da produção, adaptando-se às exigências dos consumidores modernos. Atualmente, a marca integra o grupo Sovena Group, continuando a afirmar-se como um símbolo da tradição e excelência do azeite português no mundo.

Anúncio Nescafé


A história do Nescafé está intimamente ligada à inovação no consumo de café no século XX. A marca foi lançada em 1938 pela Nestlé, após vários anos de investigação para encontrar uma forma prática de conservar o café sem perder o seu sabor e aroma.

A origem do produto remonta a um pedido feito pelo governo brasileiro à Nestlé, que procurava uma solução para aproveitar os excedentes de produção de café. A resposta foi o desenvolvimento do café solúvel — uma inovação que permitia preparar uma bebida rapidamente, apenas adicionando água quente.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Nescafé ganhou enorme popularidade, sobretudo entre os soldados americanos, devido à sua facilidade de transporte e preparação. Esse período foi decisivo para a expansão internacional da marca.

Nas décadas seguintes, o Nescafé continuou a evoluir, introduzindo novas tecnologias de produção e variedades, como versões descafeinadas e misturas mais sofisticadas. A marca também acompanhou as mudanças nos hábitos de consumo, adaptando-se a diferentes culturas e preferências em todo o mundo.

Hoje, o Nescafé é uma das marcas de café mais reconhecidas globalmente, símbolo de conveniência e inovação, mantendo-se presente no quotidiano de milhões de pessoas como uma forma rápida e prática de desfrutar do café.

Anúncio Sumol


A história da Sumol começa em Portugal, em meados do século XX, marcada pela inovação no setor das bebidas refrescantes. A marca foi criada em 1954 pela Refrigor, numa época em que o mercado era dominado por refrigerantes artificiais. A grande diferença da Sumol foi apostar numa bebida com sumo de fruta, oferecendo uma alternativa mais natural e saborosa.

O lançamento destacou-se pela introdução de sabores como laranja e ananás, rapidamente conquistando os consumidores portugueses. A identidade da marca, associada à frescura, juventude e autenticidade, ajudou a consolidar a sua popularidade ao longo das décadas de 1960 e 1970.

Com o crescimento da procura, a Sumol expandiu a sua produção e presença no mercado, tornando-se um símbolo nacional. Mais tarde, a marca integrou a Sumol+Compal, resultante da fusão entre a própria Sumol e a Compal, reforçando a sua posição tanto em Portugal como em mercados internacionais.

Ao longo dos anos, a Sumol manteve-se fiel ao seu conceito original — bebidas refrescantes com sabor a fruta — ao mesmo tempo que inovou com novos sabores e formatos. Hoje, continua a ser uma das marcas mais reconhecidas em Portugal, associada a momentos de descontração e ao estilo de vida mediterrânico.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

domingo, 23 de novembro de 2025

Falta de médicos psiquiatras em Santarém


https://arquivos.rtp.pt/conteudos/falta-de-medicos-psiquiatras-em-santarem/

17/03/1976 - Santarém, reportagem sobre a falta de assistência psiquiátrica provocada pela escassez de médicos psiquiátricas na cidade e distrito de Santarém, registada desde agosto de 1975 na sequência da exoneração do médico que assegurava o serviço no Instituto de Assistência Psiquiátrica: Dispensário de Higiene Mental de Santarém.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Atividade dos médicos policlínicos em Serpa


05/03/1977 - Hospital de São Paulo, destacamento de médicos policlínicos para hospitais concelhios provoca o aumento dos serviços e cuidados médicos a doentes, destacando-se a realização de operações cirúrgicas e exames médicos. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Artur Garcia

Artur Garcia da Silva nasceu em Lisboa, no Bairro de Alcântara, a 15 de Abril de 1937. Começou a cantar aos 14 anos, como amador, e cedo passou ao profissionalismo, com muito boa aceitação por parte do público. No entanto, durante o dia mantinha-se como empregado dos armazéns Eduardo Martins, onde tinha uma série de colegas muito interessados pela rádio. Alguns deles conduziram Artur ao Centro de Preparação de Artistas da Rádio, que funcionava na Casa das Beiras, junto ao Largo de S. Domingos. 

Após prestar provas, Artur Garcia passou a ser considerado um dos cantores principais de uma nova geração que também incluía Maria de Fátima Bravo, Madalena Iglésias e Simone de Oliveira. Artur Garcia passou, aliás, a ser conhecido como «O Rouxinol», em parte devido às suas aptidões vocais, e em parte porque a sua estreia ocorreu com a interpretação do tema «Rouxinol dos Meus Amores», de Luís Mariano. 

Após cumprido o serviço militar, veio finalmente a consagração profissional, e surgiu na televisão a interpretar teatro e opereta. Apresentou-se em programas de variedades e fez revista nos teatros Maria Vitória e ABC, nomeadamente nas revistas "Sete Colinas", "Todos ao Mesmo" e "Frangas na Grelha". 

Em 1964 esteve presente no I Grande Prémio TV (que antecedeu o Festival RTP da Canção) com duas canções que ali foi interpretar. No ano seguinte alcançou o segundo lugar com o tema «Amor». Em 1966, numa votação paralela organizada pela imprensa, o público elegeu a sua canção «Porta Secreta». 

Venceu o primeiro prémio do Festival da Figueira da Foz, em 1968, e o primeiro prémio do Festival de Aranda de Duero, em 1967. No mesmo ano foi eleito "Rei da Rádio", após ter ficado em segundo lugar duas vezes consecutivas, e recebeu o Prémio da Imprensa em Moçambique. Por votação pública, em 1968 voltou a ser eleito "Rei da Rádio", e em 1969 "Príncipe do Espectáculo". 

Nos anos 60 fez diversas digressões na Guiné, Angola e Moçambique para as Forças Armadas Portuguesas. Atuou também em Espanha, França, Itália, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Bermudas, Brasil e Índia. Em diversas ocasiões, cantou ao lado de Júlio Iglésias, Carmen Sevilla, Rafael ou Sylvie Vartan. «Como o Tempo Passa», «A Menina Triste», «Bom Dia», «Sonhando Contigo», «Olhos de Veludo», «O Homem do Leme» e «A Cidade ao Sol» são algumas das principais canções de Artur Garcia, provavelmente o mais premiado dos cantores portugueses da sua geração. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Anos 80

 



Programa com Carlos Blanco, António Capucho, João Gobern, Herman José, Medeiros Ferreira, Vasco Graça Moura, Alfredo Barroso, Jorge Braga de Macedo e Pedro Rolo Duarte sobre os anos 80 e os diversos acontecimentos marcantes daquela década, a nível do audiovisual, música, humor, política, economia e comunicação social.

sábado, 15 de novembro de 2025

Arte & Oficio

1976 -  O cantor António Garcez e o baixista e vocalista Sérgio Castro decidem fundar os Arte & Oficio. Dois músicos experientes: Garcez brilhara no primeiro Vilar de Mouros, em 1971, à frente do Psico, cuja formação Sérgio Castro integra a partir de 1974. 

Do Psico vêm ainda Juca, teclas, que abandonará o grupo antes do fim do ano, e Serginho, por oposição ao Serjão, Sérgio Castro, nas guitarras. Ao longo da primeira metade dos anos 70, este grupo, liderado por Toni Moura, aventura-se nos caminhos do heavy e do rock progressivo, em moda. Tecnicamente competentes, afirmam-se na cena nortenha, na idade artesanal em que as bandas funcionavam à margem, da imprensa e, quase sempre, das editoras. 

Alvaro Azevedo, ex-Pop Five - grupo que, ao contrário do Psico, gravou com êxito comercial - integra a primeira formação do Arte & Oficio e acompanhará Sérgio Castro por muitos anos, não só no Arte & Oficio como nos Trabalhadores do Comércio. Durante algum tempo, contarão com um violinista clássico que integra o grupo. Em duas palavras, trata-se de uma formação de veteranos formados na escola dura e com passagem por numerosos projetos que, passados à história os anos aventureiros do PREC, surgem no tempo certo com um projeto efectivamente profissional. 

Ao longo do ano assinalam êxitos em palco, desde o Festival de São João da Madeira até um concerto na Praça Humberto Delgado, no Porto, onde tocam para 12 mil espectadores. A estreia no Sul, ocorre no fim do ano, no festival de Moscavide. 

1977 - Já com outro veterano, Fernando Nascimento, nas guitarras, o grupo grava os primeiros singles: «Festival/Let Yourself Be» (Julho) e «The Little Story of Little Quibble» (Outubro), na Orfeu. Mas o ponto mais alto do ano é a primeira parte do concerto dos Can, perante um Pavilhão dos Desportos a rebentar pelas costuras. Garcez e companhia surpreendem pela energia e solidez, raramente ouvidas numa banda portuguesa. O público (e também a imprensa generalista) de Lisboa descobre-os efectivamente e rende-se à enorme capacidade de «bicho de palco» de Garcez. A bíblia rock nacional da época, a Música e Som, titula, pela pena de Jaime Fernandes: «Arte & Oficio, o êxito dos Can». Até a revista Família Cristã elogia «o som bem estruturado e sem os clichés que todos nós conhecemos em grupos portugueses». O rock directo do grupo estava de facto milhas à frente das tentativas menos conseguidas para apanhar, entre outros, o comboio do sinfónico. 

Conseguem uma credibilidade que nenhuma banda rock até aí conhecera, ao demarcar-se das vãs tentativas de tocar «à Yes» ou «à Pink Floyd». «Marijuana» é outra das canções de proa da banda. 

1978 - Novo êxito de palco, o elemento favorito deste grupo, nos festivais organizados pela Música e Som em Lisboa e no Porto. Este é o ano da edição de um novo single, para a editora de Arnaldo Trindade, «Come Hear the Band» em cujo lado B, no instrumental «Carcarejo da Galinha», o quinteto regressa às suas origens mais experimentais. O saxofonista Rui Cardoso, ex-Araripa, toca com o grupo nesse tema. Já consagrados como «o melhor grupo de rock português» continuam a investir nos concertos e adquirem um equipamento de palco que os distancia ainda mais da concorrência. Em Agosto, abre o Clube de Fãs Arte & Oficio. No fim do ano, tocam para três mil pessoas num festival na Madeira. 

1979 - É o ano do esperado álbum de estreia, "Faces", que sai em Maio na Orfeu. «Follow Me Over via Dover», «Young Chiks», «Contraditction», «Lobster Society», «All We Have to Do», «Turn the Lights», «Sea of Monsters», «Trip», «Endless Way» e «Finally» são os temas do disco, que surge na continuidade lógica do sucesso acumulado ao longo dos três anos anteriores, que a entrada do pianista António Pinho, mais tarde António Pinho Vargas, oriundo do jazz, parece vir reforçar. O êxito, porém, está prestes a ser torpedeado por factores externos e internos à banda portuense. Se a saída de Serginho, membro fundador e segundo guitarrista, não é um grande abalo, o mesmo não se dirá da saída de António Garcez, cujas potencialidades vocais e de showman eram um dos trunfos essenciais do grupo. 

Mas, ao fim de três anos de Arte & Oficio, o vocalista decide ir formar os Roxigénio com o guitarrista Filipe Mendes, uma lenda viva do rock português, que gravara o único disco dos Psico, já após a saída de Garcez e Sérgio Castro. Músico lendário, Filipe Mendes estava quase acabado, por diversas razões, quando surge ao lado de Garcez no Roxigénio, grupo cuja carreira não atingirá o impacte que todos pareciam adivinhar. O avanço do rock cantado em português, cuja guarda avançada, UHF, Rui Veloso e Heróis do Mar, tornaram subitamente vetustas as bandas que cantavam em inglês. O paradigma inverte-se do dia para a noite, mal cai o tabu de que o rock não podia ser cantado no idioma de Camões. Sérgio Castro, líder absoluto, após a saída de Garcez, continua fiel a esta ideia, mesmo se, no ano seguinte, decide fundar os Trabalhadores do Comércio onde, mais do que o português, explora o sotaque nortenho para produzir uma música positivamente hilariante. 

O grupo de «Lima 5» é o primeiro em Portugal que se assume em absoluto como uma fun band. Sem Garcez, o Arte & Oficio continua a funcionar como quarteto. "Marijuana" é editado no Outono e levará o nome do grupo portuense a um festival a favor da liberalização das drogas leves em Londres. No mesmo Outono, uma nova primeira parte, desta vez para os Stranglers, em Cascais, corre de forma diametralmente oposta à da noite do Verão de 77 em que o grupo tinha feito a abertura dos Can. 

Sem Garcez, a sala não reage do mesmo modo. O desastre acontece quando Serjão tenta um gimmick: muda de calças em palco e, perante a reação do público, prolonga o número até à exaustão, sem se aperceber que, atrás dele, António Pinho e Álvaro Azevedo decidem pura e simplesmente sair do palco! Sempre de costas para a banda, dá o tempo por duas vezes, obtendo como única resposta o silêncio. Quando se volta para trás, descobre que só lá está o guitarrista Fernando Nascimento... A força, porém, continua: a digressão nacional levará o grupo a 17 localidades do País. 

1980 - O grupo volta a ter cinco elementos, com a entrada de André Sarbib, que tinha tocado, anos antes, no Quinteto Académico. Surgem as primeiras atuações fora de portas. Abrem para Joe Jackson em vários países do Sul da Europa e apresentam «Marijuana» no festival LCC, a favor da legalização da cannabis, realizado em Londres e onde Bob Marley faz um dos seus últimos concertos, antes de morrer em 11 de Maio de 1981. Já na PolyGram editam o segundo álbum, Danzas. Mas os ventos já não sopram de feição para estes músicos do Norte, 1980 é o ano de Cavalos de Corrida, de Ar de Rock e da afirmação do rock cantado em português. 

Sérgio Castro e Alvaro Azevedo desdobram-se, com o «miúdo», João Luís, nos Trabalhadores do Comércio. Mas esse trabalho não demove Sérgio Castro das suas ideias. «É um profundo equívoco cantar rock em português», diz, numa entrevista a Manuel Dias, do Sele, em que justifica a opção seguida nos Trabalhadores do Comércio, pelo facto de este não ser um grupo de rock. O equívoco, porém, era de Sérgio Castro. O fim dos Arte & Oficio, bem como dos Tantra, marca o fim de uma era: a dos grupos tecnicistas e fiéis ao inglês, submergidos pela primeira vaga das bandas que adotaram o português e as correntes mais simples, do ponto de vista musical, surgidas desde 1976 na Europa. 

O rock português emancipava-se e sacrificava aqueles que, como os Arte & Oficio, haviam de facto aberto os caminhos da popularidade e da credibilidade aos grupos portugueses. 


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Armando Gama

Autor, compositor e intérprete, Armando António Capelo Dinis da Gama, artisticamente conhecido como Armando Gama, nasceu a 1 de Abril de 1954, em Luanda. Aos cinco anos tocava harmónica para a família, aos sete estudou acordeão e aos 14 aprendeu viola e fez a sua primeira composição. Em 1970, Armando Gama formou o seu primeiro conjunto, enquanto estudava piano e solfejo na Academia de Música, de Luanda. No ano seguinte, integrado no duo Marinho e Gama, gravou o primeiro disco com duas músicas de sua autoria. Em 1974, Armando Gama abandonou Angola e em Lisboa contacta imediatamente músicos de todos os géneros e também editoras discográficas. 

Os seus esforços têm resultados e em 1976, o artista formou os Tantra, com Manuel Cardoso, que gravaram um single e um LP para a Valentim de Carvalho. Dois anos depois, em 1978, formou o Duo Sarabanda, com Chris Kopke, participando no Festival da RTP de 1980 com a canção «Made in Portugal». Na década de 80, Armando Gama manteve grande atividade como arranjador e produtor, trabalhando com nomes como Dina, Mário Mata, Dino Meira, Doce, Herman José, Trio Odemira e Nicolau Breyner, cantou para as séries de televisão «Bana e Flapi» e «Sport Billy», formou os Canone, com quem gravou «Miúda Funky» e editou o primeiro álbum a solo, "Quase Tudo", em 1982, para a Rádio Triunfo. Deste álbum saiu a canção «Esta Balada Que Te Dou» que venceu em 1983 o XX Festival RTP da Canção que se realizou no Porto. A canção, segundo o seu autor, foi editada em 17 países da Europa, foi classificada no top da Bélgica e vendeu mais de 80 mil cópias em Portugal. Antes, em 1981, editara o álbum "Export" (com os Sarabanda), com as colaborações, entre outros, de Zé Nabo, Ramón Gallarza, Mike Sergeant, Rui Veloso, Diria, Paulo de Carvalho, Guilherme Inês e Rui Cardoso. 

O álbum inclui «Baby, Eu Já Não Danço o Rock 'N' Roll Contigo», «A Cidade nos Teus Olhos», «Singing My Song», «Get Away», «Sonho Parado», «E É», «You Make Me Feel (So Right)», «Pocket Full», «See Her Dancing» e «Coisas Simples». Tozé Brito produziu "Coisas Simples". «You Make Me Feel» foi concebido e cantado a pensar em John Lennon, assassinado um ano antes. «Toda a nossa geração lhe deve qualquer coisa. Nós, a Lena, a Tucha, a Dina e o Mike devíamos-lhe o amor com que aqui lhe cantámos», escreve-se no disco. Com sua mulher Valentina, ex-locutora da RTP, forma um duo, percorrendo o circuito da chamada «música pimba». 

DISCOGRAFIA: 

1976 - Tantra (LP, Valentim de Carvalho)

1978 - Duo Sarabanda (LP, Valentirn de Carvalho)

1981 - Export (LP, PolyGram); Canone (LP, Valentim de Carvalho)

1982 - Quase Tudo (LP, Rádio Triunfo)

1993 - Portugal Amor e Mar (com Valentina) (CD, Discossete)