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domingo, 25 de dezembro de 2022

Peter O'Toole


No meio do inesquecivel deserto da Arábia, os seus olhos azuis eram um irradiar de energia como há muito o cinema não vi. Tomara a todos os actores poderem dizer que se estrearam como Peter O´Toole, que consegue o seu melhor papel de sempre naquele que foi também o seu primeiro filme.
Irlandes de temperamento agitado, tinha tido umas breves participações em três filmes na altura em que foi escolhido para ser T.E. Lawrence. Não era nem a primeira, nem a segunda escolha, mas a sua presença fizeram de Lawrence of Arabia um dos maiores filmes da história. Apesar de todos os prémios que o filme ganhou, O´Toole falhou em conquistar o óscar, uma maldição que o iria perseguir para a vida em sete diferentes tentativas.
Depois de três anos a viver á sombra do sucesso, mas um assombroso desempenho em Becket, onde contracena com Richard Burton, o seu maior rival, vivendo o rei Henrique II de Inglaterra. Será novamente como Henrique II, mas numa versão mais rude e brutal que O´Toole volta a alcançar a perfeição com que iniciara a carreira, em The Lion in Winter. Pelo meio tinham ficado Lord Jim, esse estrondoso e brilhante falhanço, What´s New Pussycat? e o inesquecivel anjo Gabriel de The Bible. Em 1969 consegue a sua quarta nomeação na mesma década ao protagonizar Goodbye Mister Chips!, filme que até já tinha dado um óscar a Robert Donat trinta anos antes.
The Ruling Class em 1972 é a sua quinta nomeação e o seu mais fascinante trabalho da década de 70. Seguem-se The Man From La Mancha, onde é um improvável Don Quixote, Caligula e The Stunt Man, penultima nomeação e um dos seus mais interessantes trabalhos. Em 1982 última nomeação, desta feita por My Favourite Year, mais um trabalho notável, e em 1987 encontramo-lo no multi-premiado The Last Emperor. No final dos anos 80 O´Toole desaparece. É recuperado por Wolfgan Peterson em Troy, no ano passado, e desde aí parece ter retomado a actividade regular de actor. O óscar honorário de 2002 serviu para fazer as pazes com a Academia, mas tal como o seu rival e amigo Burton, ele é um dos grandes injustiçados da história do cinema.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Morgan Freeman


São quarente anos de carreira a brilhar de forma intensa mas sempre extremamente humilde. Considerado durante inumeros anos como o melhor actor negro em Hollywood, viu o jovem Denzel Washington recolher as estatuetas. Para ele ficou uma legião imensa de fãs e a esperança de que um dia a recompensa irá chegar.

Nasceu a 1 de Junho de 1937 em Memphis, Tennessee. Tipico filho do sul, cresceu no grande bairro negro da capital de um dos mais populosos estados do sul. Depois da escola chegou a altura de ir trabalhar. A escolha recaiu na Força Aerea norte-americana onde foi mecânico. Na altura sonhava em ser um dos ases do exército mas depressa se convenceu que teria mais futuro na representação. E assim foi. Depois de entrar em peças de teatro locais, deu o grande salto para a televisão na serie infantil The Electric Company. Durante quinze anos Morgan Freeamn seria mais conhecido pelo seu trabalho nos palcos e na televisão do que propriamente no universo cinematográfico. Em 1981 assumiu-se definitivamente como uma das maiores estrelas negras ao viver Malcom X em The Death of a Profet. Seguiram-se outros papeis cheios de vida como Harry and Son e Marie. Em 1987 chegava a primeira nomeação ao óscar pelo seu papel de chulo em Street Smart. Hollywood estava espantada com o seu talento e começaram a chover papeis. Com 50 anos era um inicio de carreira tardio mas que viria a revelar os seus frutos.


O final da década de 80 mostrou um Freeman em grande forma. Depois de vários papeis de sucesso chegava em 1989 a sua primeira nomeação ao óscar de Melhor Actor pelo notável desempenho de chauffer em Driving Miss Daisy. Poderia ter sido o primeiro negro a erguer a estatueta em vinte e cinco anos mas a vitória acabou por ir parar às mãos de Daniel Day-Lewis. Mas esse tinha sido um grande ano para o actor. Johnny Handsome e especialmente Glory - que marcou igualmente a ascensão de Denzel Washington e o seu primeiro óscar - mostraram que era já um actor de eleição.
The Bonfire of Vanaties e um interessante Robin Hood : The Prince of the Thieves marcaram a viragem de década mas seria no aclamado Unforgiven que Freeman voltaria a destacar-se dos demais.
Em 1994 chegava a sua terceira e última nomeação ao óscar, pelo seu assombroso desempenho como Red em The Shawshank Redemption. Derrotado por Tom Hanks, o veterano Freeman começava a caminhar para o restrito grupo dos injustiçados.


O ano seguinte abriu com mais um excelente desempenho em S7ven, seguindo-se Outbrake e Moll Flanders, dois filmes extremamente interessantes. Em 1997 voltava à ribalta com Amistad, o épico falhado de Steven Spielberg, e faria de presidente dos Estados Unidos (o primeiro negro a faze-lo) em Deep Impact. Cada vez mais respeitado, a verdade é que nos últimos anos foram papeis mais leves aqueles que deram notoriedade a Freeman. De Nurse Betty a Bruce Almighty (de novo o primeiro negro a fazer de Deus) passando por Levity, Dreamcatcher, The Sum of All Fears e Along Came a Spider.
Para este ano há uma leve esperança de voltar a ver Freeman num daqueles papeis oscarizáveis em The Million Dollar Baby de Clint Eastwood. Caso contrário há já dez projectos confirmados para os próximos dois anos, de Batman Begins a Edison passando por A Long Walk to Freedom onde viverá a mitica personagem de Nelson Mandela.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Elizabeth Taylor

A mais bem sucedida menina-prodigio de Hollywood. Começou a fazer filmes quando tinha apenas 11 anos, no mitico filme Lassie Come Home. A partir daí foi-se estabelecendo como uma das mais talentosas, carismáticas e sensuais actrizes de sempre. Manteve sempre o seu estilo próprio, mesmo na era onde as loiras voluptuosas dominavam. Teve uma vida cheia de precalços mas destacou-se sempre pela fidelidade aos seus amigos, desde Rock Hudson a Montgomery Clift, passando também por Michael Jackson, que ajudou até ás últimas consequências. É um dos últimos mitos vivos da idade de ouro de Hollywood.
Poucos imaginavam que a simpática rapariga dos filmes da cadela Lassie crescesse tão depressa. National Velvet, onde contracenava com Mickey Rooney, fez dela uma estrela aos 13 anos de idade. Seguiram-se novas aventuras com Lassie mas entretanto os estúdios MGM não sabiam o que fazer com ela. Aos 14 anos já tinha um corpo de mulher muitissimo bem definido e os papeis em filmes infantis começaram a parecer impróprios. A inicio ainda tentaram disfarçar a voluptuosidade da jovem com camisolas largas, mas apenas com 16 Elizabeth Taylor começa a interpretar papeis de adulta. Em 1950 tem o seu primeiro grande sucesso nesta segunda fase da sua carreira no filme Father of the Bride, com Spencer Tracy. No ano seguinte divide o ecrãn com o seu grande amigo Montgomery Clift em A Place in the Sun. A sua sensualidade é avassaladora e Hollywood cai imediatamente aos seus pés. Tinha apenas 19 anos.
A primeira metade dos anos 50 é pouco prolifera em grandes papeis, mas em 1956 a actriz entra em The Giant, ao lado dos amigos Dean e Hudson, voltando a afirmar-se como a actriz de uma geração. No ano seguinte é nomeada ao óscar pela primeira vez no épico sulista Raintree Country. Começa aí a brilhante sucessão de papeis de Taylor que terminará apenas em 1968. Nos anos seguintes entra em Cat on a Hot Thin Roof, Suddenly Last Summer e Butterfield 8. Pelo terceiro filme vencerá o seu primeiro óscar, à quarta nomeação. No entanto esse foi um prémio de simpatia. O seu terceiro marido, Michael Tood, tinha morrido semanas antes num desastre de aviação e a própria Taylor estava ás portas da morte. O óscar para uma moribunda acabou por ser apenas o primeiro de uma carreira que ainda tinha muito para dar.
Três anos depois a actriz é a estrela de Cleopatra. O filme foi um fracasso mas esteve cheio de histórias no elenco. Taylor exigiu que fosse Burton a interpretar Marco António e na rodagem do filme apaixonaram-se e casaram-se de seguida, tornando-se no mais badalado casal do mundo. Ainda nas rodagens do filme Taylor volta a estar ás portas da morte, tendo mesmo sido declarado morta por alguns jornais. Nesse mesmo ano faria ainda V.I.P.´s o segundo de doze filmes que fará com Burton. Entre esses o mais espantoso é seguramente Who´s Affraid Virginia Wolf?, o seu melhor desempenho coroado com o segundo óscar em oito anos. Elizabeth Taylor, ja mãe e ainda doente, era com 36 anos a maior estrela de Hollywood, superando mesmo o apagado Brando, e as rising stars Newman, O´Toole e o próprio Burton.
No entanto os seus insistentes problemas de saúde, a relação tempestuosa com Burton que levou a dois divórcios e um segundo casamento em três anos, acompanhados pela forte dependência do alcool, terminaram com a carreira da actriz ainda aos 40 anos. Hoje, Taylor mostra ter desejo de um comeback, mas a sua frágil doença dificilmente o permitirá. Ficam no entanto algumas das melhores cenas da história do cinema, protagonizadas por esta verdadeira deusa de Hollywood. Se Hollywood fosse o Olimpo, Elizabeth Taylor seria Afrodite.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Jack Lemmon


Provavelmente um dos maiores actores de comédia de sempre (apesar de não ser um cómico como o eram Chaplin, Keaton, Groucho, Lewis ou Sellers), mas também capaz de desempenhos dramáticos assombrosos, Jack Lemmon é um icone de uma forma de fazer cinema que já não existe. 

Sempre capaz de brincar com os seus próprios defeitos - um pouco desengonçado, picuinhas, sem grande sentido de humor, resmungão - fez com Billy Wilder e Walter Matthau uma das melhores triplas de todos os tempos. Começou a sua carreira em 1949 mas foi em 1955 no polémico Mr Roberts - o tal filme que acabou com a amizade de Ford e Fonda - que Jack Lemmon se destaca, vencendo de forma surpreendente um óscar. Era apenas o seu décimo filme. 

Durante quatro anos anda perdido em papeis com que não se identifica até que em 1959 conhece Billy Wilder. O realizador junta-o a Tony Curtis e Marilyn Monroe e juntos criam a maior comédia da história do cinema, o inesquecivel Some Like it Hot. O filme consagra Lemmon como um actor popular e bem recebido pelos criticos mas o "furacão" Ben-Hur rouba-lhe o segundo óscar. 

No ano seguinte a dupla Wilder-Lemmon volta a ser bem sucedida, com uma serie de óscares por The Apartment. Em 1962 Lemmon experiementa pela primeira vez com sucesso o registo dramático em Day of Wine and Roses, que lhe valem uma quarta nomeação e o aplauso da critica. Em 1963 mais um filme com Shirley MacLaine e Billy Wilder, o irresistivel Irma la Douce. Em 1965 a sua carreira sofre uma reviravolta. Conhece Walter Matthau e juntamente com ele criam uma das maiores duplas de sempre da história do cinema, com Billy Wilder por trás da camara. 

O primeiro filme em conjunto, The Fortune Cookie, dá o óscar a Mathau e cria uma empatia que nunca mais desaparecerá. The Odd Couple, baseado numa peça de Neil Simon consagra as personagens de Felix Unger e Oscar Madisson que irão recuperar por diversas vezes ao longo da carreira. Ainda com Matthau e Wilder faz The Front Page em 1974 e Buddy Buddy em 1981. Por essa altura Jack Lemmon já é um consagrado actor dramático. 

Conquistara o seu óscar como actor principal em 1973 no drama Save the Tiger, e voltaria a ser nomeado por três vezes por The China Syndrome, Tribute e Missing. Nos anos 90 volta aos filmes com Walter Matthau em Grumpy Old Men e Grumpier Old Men. Antes já tinha passado por JFK e Glengarry Glen Rose. Em 1998 faz o seu último filme com Walter Matthau, The Odd Couple II, recuperando as personagens que o tinham imortalizado. Dois anos depois morre Matthau deixando Lemmon destroçado. 

O seu cancro só lhe permitirá viver mais um ano. Com a sua morte, o mundo perdeu uma das pessoas que mais o fez rir durante meio século.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Jack Nicholson

É um dos mais premiados actores de sempre. Detem o record de vitórias dos Globos de Ouro, prémios da critica de Nova Iorque, Los Angeles, San Francisco e é o actor com mais óscares na história. Ou seja, o seu gigantesco talento, provado por mais de uma dezena de obras-primas, foi amplamente recompensado fazendo dele o mais bem sucedido actor da sua geração.
Começa a sua carreira nos filmes de terror, onde é aproveitada a sua figura bem diferente da que estavamos habituar a ver nas grandes estrelas. O seu passado sombrio - foi educado pela avó julgando-a sua mãe, com a mãe fazendo-se passar por irmã - conferia-lhe uma aura inesquecivel. Em 1969 junta-se a Peter Fonda e Dennis Hopper na louca viagem de Easy Rider, e é nomeado pela primeira vez ao óscar. Em 1970 é nomeado pela segunda vez pelo seu notável papel em Five Easy Pieces. Em 1973 a sua carreira arranca de uma forma notável. Primeiro por The Last Detail, depois em Chinatown e por fim em One Flew Over the Cuckoo´s Nest, chega o óscar que já perseguia insistentemente. Altamente alternativo, provocador e cabotino, fez uma parceria histórica com Brando em Missouri Breaks, e em 1980 é um dos vilões mais assustadores do cinema em Shinning. É Eugene O´Neill em Reds, e continua como secundário de luxo em Tearms of Endearment, onde ganha o segundo óscar. Volta de novo á sua melhor forma na segunda metade dos anos 80 em The Witches of Eastwick, Prizzis Honor, Ironweed e Batman. Em A Few Good Man protagoniza uma das cenas icónicas dos anos 90 ao lado do jovem Tom Cruise. Depois de uns anos 90 de menor produtividade, chega magnifico em As Good As It Gets açambarcando o seu terceiro óscar, tornando-se nesse ano o actor mais premiado da história. Volta a brilhar para o jovem Alexander Payne em About Schmidt, mas em Something´s Gotta Give mostra continuar igual a si mesmo. The Departed é uma incógnita mas saber que o sempre alucinado Nicholson anda por aí, deixa-nos dormir melhor. Para bem do cinema!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Uma Thurman

Fez-se com Tarantino e disso não há dúvidas. É ele que lhe consegue retirar todo o seu potencial como actriz dramática. Mas a sua carreira tem vivido de outros papeis interessantes, que fazem dela uma das actrizes mais respeitadas da actualidade...

Nasceu a 29 de Abril de 1979 em Boston, filha de uma modelo sueca e um professor de orientação budista. Cresceu num ambiente extremamente orientalizado, com visitas regulares do Dalai Lama a sua casa. Desde sempre sonhou em ser actriz e aos 15 anos abandonou a escola onde estava para prosseguir o seu sonho em Nova Iorque.
O seu primeiro papel no cinema chegaria em 1988, depois de ter feito alguns trabalhos como modelo. Depois de pequenos desempenhos em Johnny Be Good, Kiss Daddy Goodnight e The Adventures of Baron Munchausen chegou o seu primeiro desempenho de destaque. Foi no filme de Stephen Frears, Dangerous Liaisons onde vivia a jovem inocente, que mais tarde se tornará praticamente numa ninfomaniaca, Cecille de Volanges. Com 18 anos Thurman mostrava querer ser actriz a sério, dando um notável desempenho. As cenas de nus, não habituais em actrizes tão jovens então, ajudaram a fazer dela um sex-symbol. Dois anos depois, ao viver a mulher de Henry Miller em Henry and June, a jovem Uma Thurman voltava a quebrar todas as barreiras e afirmava-se como uma jovem starlett em Hollywood.


O inicio dos anos 90 não lhe correu tão bem como esperava. O seu breve casamento com Gary Oldman verificou ser um fracasso e os filmes em que participou a partir de Henry and June não convenciam nem a critica nem o público. Seria Quentin Tarantino quem voltaria a pegar em Uma Thurman para fazer dela uma estrela. O filme, como todos sabem, era Pulp Fiction e o seu desempenho como Mia Wallace foi de tal forma espantoso que lhe valeu a nomeação ao óscar de melhor actriz secundária, óscar que viria a perder no entanto.
Mesmo assim parecia que a sua carreira estava de novo lançada. Seguiram-se prestações em blockbusters como Batman and Robin, a tentativa falhada de Joel Schumacher em dar vida ao Homem-Morcego, e em The Avengers, a adaptação de uma popular serie britânica dos anos 60 que acabaria por se revelar um fracasso total.
Em 1997, Uma conheceria Ethan Hawke nas filmagens de Gattaca, um thriller de sci-fi. O casal apaixonou-se e casou de imediato, estando agora num processo conturbado de divórcio. O filme foi aplaudido por uma pequena franja de espectadores e foi preciso Woody Allen - em Sweet and Lowdown - e Richard Linklater - em Tape - para voltarem a colocar Uma no mapa.


Com o início do novo milénio a carreira de Uma ganhou nova vida. Primeiro foi o Globo de Ouro em televisão pelo seu desempenho em Histerical Blindness. E depois foi o recuperar da colaboração com Quentin Tarantino em Kill Bill. Ajudando a compor a essência da sua personagem, The Bride, Uma Thurman ganhou especial destaque neste filme dividido em dois que dividiu também opiniões, mas que valeu em dois anos consecutivos a nomeação de Uma ao Globo de Ouro como melhor actriz dramática. Nenhuma resultou em vitória ou em nomeações aos óscares, mas Kill Bill tornou-se num marco da filmografia recente.
Para os próximos anos, Uma Thurman vai estar envolvida em vários projectos que vão desde Be Cool, já estreado, a Prime - a estrear este ano - até The Producers, adaptação do musical da Broadway ao cinema e cuja estreia está agendada para o final de 2005.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Jeff Bridges


Encarnou a personagem mais "cool" da história do cinema. Aliás, há em cada uma das suas vidas cinematográficas uma onde bom humor e um espirito alegre que se torna contagiante para todos que o vêm trabalhar. Ele é hoje o simbolo perfeito de uma forma diferente de encarar a arte de representar...

Foi uma das maiores promessas da geração de 65 e durante alguns anos houve quem temesse que não passasse disso mesmo. Uma promessa. Mas os últimos vinte anos têm ajudado a mostrar um actor mais maturo e fresco, sem medo de enfrentar desafios, por muito dificeis que eles possam parecer. Por isso é que já está na altura de coroar Jeff Bridges.

Filho da California, nascido a 4 de Dezembro de 1949 em Los Angeles, sempre teve a representação nas veias. O pai era Lloyd Bridges, conhecido actor de westerns. O irmão, com quem contracenaria no inesquecivel The Fabulous Baker Broys, é Beau Bridges. E por isso é natural que Jeffrey Leon Bridges acabasse eventualmente por ser também ele actor.
Aos dois anos já surgia em filmes, fazendo pequenos papeis de criança. Foi aos 20 anos, em 1969, que se começou a destacar na televisão no filme Silent Night, Lonely Night. O filme Hells of Anger começava a mostrar um Bridges como jovem rebelde sem causa, imagem que ficaria eternizada no seu notável desempenho em The Last Picture Show, filme de Peter Bogdanovich de 1971. Para além de ter sido um dos grandes filmes do ano, a verdade é que Bridges começou a consolidar a sua carreira com uma precoce nomeação ao óscar de melhor actor secundário.


Seguiram-se uma serie de papeis que seguiam a imagem criada por Bridges no filme de Bogdanovich em filmes como Fast Picture, Bad Company, The Last American Hero e Thunderbolt and Lightfoot, filme pelo qual foi nomeado pela segunda vez ao óscar, depois de ter roubado todas as cenas a Clint Eastwood.
O problema começou então. Os seus papeis estavam gastos e as novas abordagens não iriam resultar. King Kong, Somebody Killed Her Husband e Heavan´s Gate foram fracassos a todos os niveis, e agora com 30 anos, a carreira de Bridges teimava em não sair do sitio.
Este foi um cenário que se tornou recorrente até 1984. Dez anos perdidos que Bridges não deve querer lembrar tão cedo.
Mas com Starman, filme de 84, estava de volta o melhor Bridges. Um desempenho absolutamente notavel como um extra-terrestre que chega a terra e adquire forma humana, valeu-lhe a primeira nomeação ao óscar de Melhor Actor. E permitiu-lhe voltar a pensar numa carreira ao mais alto nivel. O mais dificil tinha ficado para trás.


Seguiram-se então nos anos seguintes uma serie de excelentes desempenhos em filmes muito aceitaveis. Primeiro foi Jagged Edge, depois 8 Million Ways To Die e, acima de tudo, Tucker : The Man and His Dream, filme poético de Francis Ford Copolla, que lhe proporcionou o seu melhor papel de sempre, apesar de ter sido ignorado pela Academia. No ano seguinte chegou a parceria com o irmão Beau, e com a diva Michelle Pfeifer em The Fabulous Baker Boys, um dos filmes mais interessantes do ano.
A carreira de Bridges continuava em alta no inicio da nova década. Primeiro revisitou o universo de Bogdanovich em Texasville e depois entrou, lado a lado com Robbie Williams, no filme de Terry Gilliam, The Fisher King.
1992 viria a mostrar mais um grande Bridges em American Heart e no ano seguinte viria aquele que é o seu papel favorito, Fearless. E quando muitos pensavam que o ritmo iria abrandar, ainda deu tempo para Wild Bill em 1995, uma abordagem realista e crua à vida do famoso Buffalo Bill.


Depois de dois anos em baixa, o grande regresso chegava em 1998 com Big Lebowski. O filme dos irmãos Coen é um dos mais fabulosos da década e o desempenho de Bridges como "The Dude" é sublime. No entanto, como habitualmente, a Academia preferiu ignorar esta pequena obra de arte. E Bridges continuava sem vencer prémios.
No ano seguinte, 1999, haveria Arlington Road, espectacular thriller com Tim Robbins, e em 2000 chegaria a sua 4º nomeação ao óscar, desta vez a terceira como melhor actor secundário, pelo filme The Contender onde viveu o Presidente dos Estados Unidos. Mais uma vez o prémio foi para outro.
K-Pax iria marcar o ano de 2001 para Bridges, num excelente contra papel a Kevin Spacey, no primeiro filme pós-óscar, e se em 2002 não haveria Bridges, este voltava no ano seguinte em força em Seabiscuit. Papel notável mas nem sequer considerado pela Academia, apesar das sete nomeações do filme.
Para 2004 ficou mais um "enorme" desempenho em The Door in the Floor e no próximo ano poderemos ver este grande actor em The Moguls e Tideland.


Um dos actores menos valorizados mas ao mesmo tempo, um dos mais completos da industria cinematografica norte-americana, Jeff Bridges é hoje um dos grandes injustiçados da história do cinema. Com 55 anos muitos acreditam que a sua hora chegará em breve, mas a verdade é que depois de trinta anos a brilhar ao mais alto nivel, esperava-se já um sinal de reconhecimento por parte dos seus pares. No entanto Bridges está na boa. Tranquilo, preparado para quando o momento chegar. E se não chegar? Paciência dira ele com aquele sorriso do tamanho do mundo.

domingo, 20 de novembro de 2022

Sean Penn

É uma das vozes mais criticas de Hollywood. Aponta todos os aspectos negativos por onde passa, desde o coração da industria cinematográfica às politicas do executivo federal. Hoje é visto finalmente como um dos grandes da sua geração. Mas para lá chegar teve de lutar muito.

A 17 de Agosto de 1960 nasceu na solarenga Califórnia Sean Justin Penn, hoje conhecido como um dos três maiores actores da geração de 85, lado a lado com Tom Hanks e Denzel Washington.
Os pais estavam no mundo do espectáculo e por isso foi fácil perceber o porquê dele, e do seu jovem irmão Chris, terem sido sempre empurrados para esse mundo. O pai, Leo Penn era realizador e tinha sido um dos nomes riscados na Caça às Bruxas dos anos 50.A mãe Eileen Ryan uma actriz de estúdio. Mesmo assim só aos 21 anos é que chegou o primeiro papel para o jovem Sean. O filme foi Taps e foi o inicio da carreira deste jovem e explosivo actor. Seguiu-se um divertido papel no filme de culto Fast Times at Rigdemond High.
Em 1984 foi considerado uma das 10 maiores promessas do cinema norte-americano. Já na altura lhe detectavam as suas principais caracteristicas. Sofredor, autor de um notável controlo de timing, praticante eximio do inner acting e explosivo como poucos.


Seguiram-se notáveis performances em Racing With the Moon, The Falcon and the Snowman, At Close Range, We´re No Angels e Casualties of War. Aos poucos tinha-se tornando numa das grandes referências para os actores mais jovens da década de 80. Por essa altura era mais conhecido por ser casado com Madonna, de quem se divorciaria no final de 1989. A nova década começari a brilhar nos seus primeiros papeis de destaque. State of Grace foi um dos mais interessantes filmes do inicio da década e permitiu-lhe conhecer a sua actual mulher Robin Wright-Penn. Nesse mesmo ano, 1991, estreou-se na realização em Indian Runner. Carlito´s Way voltava a mostra a sua melhor face em 1993 e conseguiu a sua primeira nomeação ao óscar em 1995 com o seu notável papel em Dead Man Walking.
Voltaria aos seus melhores papeis dois anos depois em The Game e no final dos anos 90 mostrou-se em grande estilo em The Thin Red Line e Sweet and Lowdown, filme de Woody Allen.


No entanto os maiores momentos da sua carreira chegariam nos últimos cinco anos.
Primeiro em Before Night Falls em 2000 e no ano a seguir em I Am Sam. Um dos papeis mais comoventes dos últimos anos valeu-lhe a nomeação ao óscar. Apesar de muitos considerarem que seria um justo vencedor, acabaria derrotado. Mas o seu melhor momento estava aí. Dirigiu o fraco The Pledge mas no ano passado entrou em dois dos maiores filmes do ano. Primeiro em 21 Grams, onde é explosivo e espantoso como nunca o viram, e depois em Mystic River. Aqui conseguiu o seu melhor desempenho de sempre, o melhor do ano e um dos mais interessantes dos últimos anos. Apesar de muitos não acreditarem, a consagração chegou com o seu primeiro óscar. Um óscar emotivo para um rebelde eterno como é Sean Penn.
E quantoso muitos pensavam que ele iria voltar a papeis menos conseguidos, eis que ele apresenta um rol de intensas interpretações. Primeiro em The Assassination of Richard Nixon, já este ano, e em The Interpreter e All the King´s Men nos próximos dois anos. É caso para dizer que o melhor Penn pode mesmo ainda não ter aparecido.



terça-feira, 15 de novembro de 2022

Natasha Henstridge

Uma actriz de uma beleza incomparável. Uma sex-symbol de um país onde a paz e a harmonia são a nota dominante. Um valor por explorar verdadeiramente pelas produtoras de Hollywood...

Pela sua beleza e porte não é dificil perceber que a carreira de Natasha Henstridge começou nas passerelles.
A agora actriz nasceu a 15 de Agosto de 1974 no Canada. Depois de uma infância perfeitamente normal, saiu de casa aos 14 anos para tentar a sua sorte como modelo em Paris. Teve grande sucesso após um curto periodo de experimentação por várias casas e acabou por se consagrar como uma das mais conceituadas modelos da passerelle parisiense. Aos 15 anos já era capa da Comsopolitan e aos 16 já fazia diversos anuncios publicitários. Parecia estar destinada ao sucesso como modelo, mas o glamour do cinema falou mais alto.
O seu primeiro papel no cinema chegaria com 21 anos no filme de ficção cientifica Species. A sua beleza terá sido a principal razão porque foi escolhida para o papel, mas a sua performance não foi tão má como muitos julgaram possivel. E foi o inicio de uma carreira de uma década.


Maximum Risk marcou a sua segunda passagem por Hollywood onde os papeis que lhe surgiam encaixavam bem no esteriótipo de loira com medidas generosas. Se Henstridge queria ser uma actriz a serio, este certamente não era o caminho. Como não foi fazer a sequela de Species, considerada uma das piores de sempre no genero. O filme viva do corpo nu da actriz, algo que nunca é lisongeiro para qualquer filme, mesmo que a actriz seja Henstridge. Sendo assim, em 1998 a sua carreira estava na mó de baixo. Bella Dona marcou a sua estreia no cinema brasileiro mas o filme acabou por ser um fracasso. Seguir-se-iam papeis em filmes como Dog Park e A Better Way to Dye. E quando todos pensavam que a sua carreira estava condenada a desaparecer, eis que surge The Whole Nine Yards, uma divertidissima comédia com Bruce Willis no principal papel que recuperou o nome de Henstridge junto do público e dos produtores de Hollywood. Um volte face que poderia ter sido aproveitado. Mas que acabou por não ser.



Depois de ter sido votada a mulher mais bela do mundo e de ter feito vários ensaios para inumeras revistas, Henstridge deixou-se cair de novo em pequenas produções. Bounce, Second Skin e Riders não fizeram muito pela sua carreira. Tal como a sequela, também ela uma desilusão, de The Whole Nine Yards, agora com o titulo de The Whole Ten Yards. E para complicar o cenário há ainda Species III, o filme em que o corpo, mais do que o talento, volta a ser cabeça de cartaz. Para quem augura uma carreira de sucesso a Henstridge, o que é perfeitamente concebivel, um cenário marcado por este genero de produções não é bem o mais adequado. Mas quem sabe? Talvez se escreva direito por linhas tortas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

António Banderas



Aprendeu com o mestre Almodovar a não ter medo de dar tudo por todo. Depois de um estágio longo ao serviço do carismático realizador espanhol decidiu experimentar o cinema na versão de Hollywood. E ninguém poderá dizer que não se saiu bem. Afinal ele éa inda, aos quarenta e quatro anos, a personificação perfeita do latin lover...

Nasceu em Malaga, no sul da vizinha Espanha, a 10 de Agosto de 1960 com o nome de José Antonio Domínguez Bandera. Os pais eram gente simples e o seu sonho era o de qualquer miudo espanhol: ser jogador de futebol. Só que aos 14 anos o pequeno Antonio partiu um pé e hipotecou uma carreira no mundo do desporto. Foi então que surgiu a representação. Depois de vários anos a trabalhar em peças escolares e pequenas companhias locais, aos vinte anos António rumou a Madrid onde entrou no mundo do teatro espanhol e, ao mesmo tempo, começou a surgir em series e novelas televisivas. Na Espanha do pós-franquismo o jovem Antonio começava a ganhar protagonismo. Depois conheceu Pedro Almodovar, um jovem realizador excêntrico que iria mudar o cinema espanhol, e nada foi o mesmo.


Laberinto de pasiones, de 1982, foi a sua estreia no cinema e logo pela mão daquele que se viria a revelar o maior realizador espanhol de todos os tempos. Banderas interpretava um gay que era ao mesmo tempo um terrorista islâmico. Era o primeiro de muitos papeis delirantes que o actor interpretava para Almodovar, que neste sua primeira fase era também o realizador mais barroco da Europa. Durante os dez anos seguintes Banderas trabalhou com Almodovar e com vários emergentes realizadores espanhois. Filmes como El Senõr Galiendez ou Caso Cerrado foram reforçando o seu papel no meio cinematográfico espanhol. Mas seriam os seus filmes almodovarianos - Matador, La Ley del Deseo, Mujeres al bordio de un ataque de nervios e Atame! - que o tornariam um icone do cinema espanhol dos anos 80.


Em 1992 o salto para Hollywood no filme Mambo Kings. Como continuaria a acontecer com regularidade, o seu forte sotaque andaluz levou a que os seus papeis tivessem sempre uma origem latina. Em Mambo Kings foi um dançarino cubano de grande talento. Já em The House of Spirits, filmado em Portugal, trabalhou ao lado de alguns dos grandes actores de Hollywood como Meryl Streep, Jeremy Irons e Glenn Close. No mesmo ano seria o amante de Tom Hanks em Philadelphia, filme pelo qual foi bastante aplaudido pela critica. A sua carreira nos Estados Unidos ia de vento em popa.
O seu papel principal chegaria com Of Love and Shadows, um melodrama de 1994 com Jennifer Connely que acabou por não ter grande aceitação por parte da critica. Nesse mesmo ano seria Armand, o lider dos vampiros parisienses em Interview With the Vampire, onde contracenou com Brad Pitt e Kirsten Dunst.


A sua estreia como actor principal lançaria-o para novos voos. E em 1995 foi a afirmação definitiva de António Banderas como a estrela latina de Hollywood.
Desperado seria o papel que o lançaria para a fama. Neste filme de Robert Rodriguez - continuação de El Mariachi - e com Salma Hayek e Joaquim de Almeida, Banderas é um tocador de viola que vive de outro grande talento: a arte de matar tudo o que se mexe. O filme tinha cenas de acção verdadeiramente espectaculares e um humor truculento que impressionou tudo e todos. Ainda nesse ano e ao lado de Juliane Moore e Silvester Stallone (num filme escrito pelos irmãos Wachowski, que mais tarde criariam The Matrix) Banderas surge em Assassins mantendo bem viva a chama de eximio atirador que ganhara no filme de Rodriguez. O ano acabaria com o thriller-erótico Never Talk To Strangers onde Banderas seduz Rebeca de Mornay.


No final de 1995 tinha estreado Two Much. O filme era uma comedia romantica sem grande argumento mas acabou por ser um filme marcante na carreira de Banderas. O actor conheceu Melanie Grifith, a filha de Tippi Hedren, e ambos apaixonaram-se de imediato. Um ano depois o casal dava o nó (Banderas já tinha estado casado entre 1987 e 1996 com uma actriz espanhola) e começava uma das mais famosas e duradouras relações de Hollywood.
E depois de um ano de extrema violência, eis que chegou o ano dos papeis dramáticos. Em 1996 o actor espanhol é o Che ao lado de Madonna no musical Evita. Banderas conseguiria por este filme uma nomeação ao Globo de Ouro de melhor actor (que perderia para Tom Cruise), a prova de que o seu trabalho estava mesmo a ser apreciado em Hollywood.


Em 1998 surgiu The Mask of Zorro. O filme foi um êxito tremendo e António Banderas voltou a mostrar porque era o perfeito sex-symbol latino nos Estados Unidos. Ao lado do veterano Anthony Hopkins e da estreante Chaterina Zeta-Jones, o espanhol é eloquente como o sucessor do mitico heroi californiano. E no ano seguinte mais um grande exito, desta vez em The 13th Warrior onde encarna um guerreiro árabe que tem de lutar ao lado de uma tribo viking contra um inimigo nunca visto. Um belissimo filme de acção e mais um desempenho a juntar ao livro de notas. Banderas estava em alta e nem o delirante The White Kid River abalou o seu protagonismo. Até porque Play it With the Bone, o filme onde partilhou o ring de box com Woody Harrelson foi um sucesso de box-office.
Nesse ano de 1999 Banderas estreava-se na realização. Crazy Alabama (que contava no elenco com toda a familia, desde a mulher até aos seus jovens enteados). Apesar de não ter sido dos melhores filmes do ano foi curiosa a forma descontraida com que o actor experimentou o outro lado da camara.


The Body, onde viveu um padre católico que vive na dúvida sobre se a morte de Cristo foi real ou não, e Spy Kids, onde trabalhou de novo com Robert Rodriguez, marcaram o seu regresso ao cinema depois de ano e meio de ausência. Banderas decidira experimentar o teatro norte-americano na Broadway e saiu-se tão bem como tinha sucedido na sua Espanha natal. O final desse ano ficaria marcado por Original Sin, o thriller erótico em que partilhou o ecrãn - e a cama - com a emergente Angelina Jolie.


Em 2002 regresso à saga Spy Kids, mas, mais do que isso, dois dos filmes mais aplaudidos do ano contaram com a sua presença.
Em Frida, Banderas volta a trabalhar com Salma Hayek (filme que lhe valeu a sua nomeação ao óscar) e em Femme Fatale, ao serviço de Brian de Palma, Antonio Banderas dá um desempenho extraordinário ao lado da bela Rebeca Romjin-Stamos. O ano não acabaria sem um pequeno flop, Balistic, que no entanto passaria despercebido. 
E em 2003, para além de completar a trilogia Spy Kids, num papel muito fora do normal na sua carreira, houve a oportunidade de viver a personagem Pancho Villa num telefilme de sucesso And Starring as Pancho Villa Himself. Mas o grande destaque do ano acabou por ser o seu regresso à personagem El Marachi em Once Upon a Time in Mexico. Mais uma vez um filme de acção cheio de garra por parte de Robert Rodriguez que recolocou Banderas no mapa das grandes personagens de acção. Ele que acabaria por ser revelar uma das maiores estrelas de um grande exito de 2004, Shrek 2. A sua personagem, o Gato das Botas, trouxe outra vida ao filme e a sua voz marcadamente latina conquistou os espectadores de todas as idades. 


Neste momento Banderas está a gravar o esperado The Legend of Zorro, a continuação do seu grande sucesso de 1998. Para além disso há sempre a Broadway, onde o actor gosta de actuar com regularidade, e a sua paixão pela realização. Banderas é hoje um actor extremamente popular e com grande talento. Aos 44 anos está no pique da sua forma e não nos admirariamos se nos próximos anos ele volte a dar um salto qualitativo imenso, fazendo desta uma biografia quase obsoleta.

sábado, 5 de novembro de 2022

Sean Connery

É um mito e ninguém o pode negar. É um grande actor mas já passou para a posteridade como um dos homens mais sexy e charmosos de todos os tempos. Consegue com o seu carisma iluminar uma caverna tenebrosa. Faz o mesmo com os filmes em que entra. Deus pode não ter criado todos os homens à sua imagem e semelhança. Mas se há alguém assim, ele é sem dúvida nenhuma, Sir Sean Connery.


O seu sotaque não engana ninguém. Hoje ele é o maior mito da Escócia. Um embaixador do Império Britânico. Um exemplo a seguir por todos. Celebrizou-se como James Bond mas há muito que conseguiu criar uma identidade afastada da mitica personagem que encarnou pela primeia vez em 1962. Hoje ele é um dos maiores nomes da industria cinematográfica. E um dos actores com mais adeptos em todo o mundo. Incluindo aqui.

Nascido a 25 de Agosto de 1930 em Edinburgh, ele personifica o verdadeiro operário de classe média baixa que encontra sucesso no cinema. A sua infância foi passada entre as ruas da capital escocesa e alguns trabalhos casuais. Depois de ter perdido a virgindade com 11 anos para uma prostituta - um mito que se tornaria cada vez maior com o passar dos anos - aos 16 foi para a Marinha britânica. Quando saiu aceitou posar nu para estudantes de arte para ganhar a vida, e aos 18 anos começou a preparar o fisico para atacar o titulo de Mister Universo. Conseguiu-o em 1950. Depois passou para o cinema de forma gradual. A estreia chegaria apenas em 1954 no filme Lilac on the Spring. Durante os oito anos seguintes faria 20 filmes, dos quais MacBeth, Tarzan e Another Time, Another Place são os mais marcantes. Mas foi ao vê-lo em Darby O´Geel and the Litlee People que o produtor Joseph Brocolli se convenceu que ele era o homem certo para viver Bond, James Bond no seu primeiro filme. Ian Fleming, que tinha escrito o papel a pensar em Cary Grant, queria David Niven. Connery ficou com o papel e Dr. No foi um exito retumbante dando inicio a uma serie que já vai em 21 filmes, dos quais ele protagonizou seis dos mais emblemáticos episódios.
Em 1963 voltou a ser Bond em From Russia With Love e no ano seguinte trabalhou ao lado de Sir Alfred Hitchcock em Marnie. Voltaria nesse mesmo ano a viver 007 no seu mais emblemático filme Goldfinger. Em 1965 faria o seu 4º Bond, Thunderball. Em 1967 faria You Only Live Once, outro filme do agente secreto. Mas por essa altura, ele que estava associado eternamente à personagem, decidiu abandonar o projecto. Foi preciso uma fortuna, e o fracasso que foi o filme com George Lazenby, para o persuadir a voltar em 1971 ao papel. Com 41 anos viveu Bond oficialmente pela última vez em Diamonds Are Forever.


Entretanto Connery procurava criar uma carreira afastada da personagem que o celebrizava. Depois de Marnie fez A Fine Madness, Shalako, Zardoz, Murder on the Orient Express e The Man Who Would be King, mas os filmes não tinham exito a qualquer nivel. Surpreendentemente voltou a viver Bond, de forma não oficial, em Never Say Never Again. Estavamos em 1983 e Connery tinha já 53 anos. Mas convenceu e deixou saudades. A década de 80 viria a revelar-se o oposto dos anos 70. Já maduro e experimentado, conheceu os seus maiores sucessos nos anos seguintes. The Name of the Rose valeu-lhe a primeira nomeação ao óscar, num desempenho marcante, um dos melhores de toda a década. Óscar que chegaria no ano seguinte, mas de secundário, pelo seu retrato de policia honesto em The Untouchables. A consagração de um actor que já então era acarinhado por tudo e todos. Higlhander, Family Business, The Hunting of the Red October, The Russia House e o terceiro episódio de Indiana Jones confirmaram-se como um dos nomes mais celebres do mundo do cinema. A sua imagem de marca era uma longa barba branca e uma careca sedutora - Connery perdera todo o cabelo aos 21 e tivera de usar peruca ao viver Bond - acompanhadas de uma das vozes mais emblemáticas da história do cinema.


Começou a trocar os papeis de protagonista por papeis secundários de grande interesse, desde A Good Man in Africa a First Knight, passando por Robin Hood: Prince of Thieves, The Rock e The Avengers. Deu a voz a um dragão em Dragonheart e ensinou Catherina Zeta-Jones a roubar com classe em Entrapment. Foi ainda o professor de Rob Wallace em Finding Forrester e no ano passado entrou no falhado projecto The League of the Extraordinary Gentleman.
Recusou o papel de Gandalf na trilogia de Lord of the Rings or não querer filmar 18 meses na Nova Zelandia e doou muitos dos seus salários a instituições de caridade. É o maior patrono da Escócia apesar de em 1999 ter sido armado cavaleiro do Império. E acima de tudo é um dos maiores mitos vivos do cinema. Um daqueles mitos que ninguém conseguirá apagar.



Sangue e Lágrimas - parte 1


Poderá uma estatueta de Cristo em gesso  verter sangue de verdade ou uma imagem de  Nossa Senhora chorar? Estes fenómenos têm  sido registados várias vezes, continuando a  inspirar — e também a espantar — muitas  pessoas nos tempos que correm.

Certo dia, corria o mês de Abril de 1975, pouco depois da Páscoa, Anne Poore, de Boothwyn, na Pensilvânia, EUA, estava a rezar por aqueles que se tinham afastado da Igreja. Encontrava-se ajoelhada em frente de uma estátua de Jesus em gesso com cerca de sessenta e seis centímetros de altura que lhe fora oferecida por uma amiga no ano anterior. «De repente ergui os olhos para a estátua», relatou mais tarde aos jornalistas, «e o meu coração parou de bater. Nas chagas abertas no gesso da palma das mãos tinham aparecido duas gotas de sangue vivo. 

Fiquei aterrorizada. Não tinha dúvida de que era sangue de verdade. A partir daí já vi escorrer sangue da estatueta muitas vezes.» Hoje em dia está na moda não acreditar em semelhantes coisas ou, antes, preferir pensar que tais ocorrências não acontecem. A mente fechada ou temerosa refugia-se, muitas vezes, por trás de uma racionalidade exacerbada. Para estes cépticos inabaláveis, as histórias ligadas a objectos de culto religioso vistos a derramar lágrimas ou a verter sangue não passam de indícios da sobrevivência deplorável de crenças primitivas e supersticiosas numa era dominada pela ciência. No entanto, existem .dados que provam que esses fenómenos acontecem ocasionalmente, como as histórias que irão ler a seguir demonstram.

Nos anos 50, o Dr. Piero Casoli, médico italiano, estudou longamente as Nossas Senhoras que choravam. Não havia falta delas, pois, como concluiu, só em Itália tal acontecia, em média, duas por ano. E os registos do Fortean Times britânico mostravam que esse tipo de ocorrência fora detectado ao longo da história moderna, segundo relatos recebidos de todo o mundo. Em 1527, por exemplo, uma estatueta de Cristo, em Roma, chorou copiosamente, o que foi considerado um presságio para a decadência daquela cidade. Em Julho de 1966, um crucifixo pertencente a Alfred Bolton, de Walthamstow, derramou lágrimas pelo menos em trinta ocasiões. Em Dezembro de 1960, de uma estatueta existente na Igreja Ortodoxa de Tarpon Springs, na Florida, escorreram «pequenas lágrimas». Em Janeiro de 1981, uma estatueta da Virgem Maria em Caltanisetta, na Sicília — da qual se dizia ter chorado em 1974 —, começou a sangrar na face direita.

Perante tais ocorrências aparentemente «impossíveis», somos levados a fazer a seguinte pergunta racional: estas histórias não serão apenas «alucinações colectivas»? De facto, existem registos de pessoas reunidas em torno de uma imagem religiosa com fama de chorar ou sangrar antecipadamente entusiasmadas pelos boatos e que, possivelmente, «viram» o milagre assim que a pessoa mais sugestionável gritou: «Olhem, a Virgem está a chorar!»

Raymond Bayless, investigador psíquico americano, foi uma das pessoas a viver precisamente uma dessas situações. O fenómeno teve início na tarde de 16 de Março de 1960, quando uma imagem pintada da Virgem Maria Abençoada começou a verter lágrimas por trás do vidro que a resguardava. O objecto pertencia a Pagora Catsounis, de Nova Iorque, que telefonou de imediato ao seu consultor espiritual, o padre George Papadeas, da Igreja Ortodoxa de S. Paulo, em Hempstead. Este contou: «Quando cheguei, havia uma lágrima a secar sob o olho esquerdo. Depois, pouco antes de as nossas orações terminarem, vi uma outra dentro da mesma vista. Começou com um pequeno glóbulo redondo e húmido a despontar ao canto do olho, antes de deslizar lentamente pela face.» O diminuto fio, fino mas constante, não ficou retido no fundo da moldura, como seria de esperar, dando a impressão de desaparecer antes de poder formar uma pequena poça.


Retirado de "Contra toda a Lógica"
Orbis Publishing Limited
Círculo de Leitores

Sangue e Lágrimas - parte 2



Na primeira semana, cerca de quatro mil pessoas passaram pelo apartamento de Pagora Catsounis, a fim de verem o milagre e orarem, enquanto as lágrimas caíam incessantemente. Depois o quadro foi transferido para a Igreja de S. Paulo. Foi então que apareceu uma outra Nossa Senhora a chorar na família. Pertencia a Antonia Koulis, tia de Pagora Catsounis. As circunstâncias levantaram algumas dúvidas, no entanto, o fenómeno foi certificado pelo próprio arcebispo. Consta que a imagem chorava copiosamente e que, quando o padre Papadeas deixou os jornalistas pegarem no quadro, este ainda estava húmido. Foram retiradas amostras do líquido para análise, concluindo-se então que não se tratava de lágrimas humanas. Esta imagem, à semelhança da anterior, também foi colocada num relicário da Igreja de S. Paulo. Antónia Koulis recebeu outra em sua substituição e também esta começou a chorar. Foi então que Raymond Bayless iniciou as suas investigações, como é referido na revista Fate de Março de 1966.

Um exame feito de perto à superfície da pintura revelou manchas por baixo dos olhos, formadas por partículas cristalizadas de algo semelhante a soro. As acumulações, depois de secas, não caíram. Quando Bayless examinou a imagem pela segunda vez, estas «lágrimas» continuavam no mesmo sítio, e não encontrou orifícios de qualquer tipo por onde pudesse ter sido introduzido líquido na zona central do quadro. Bayless declarou: «Durante a nossa primeira visita, uma mulher que fazia de intérprete gritou, de repente, que uma nova lágrima estava a cair de um dos olhos. Olhei de imediato, mas confesso que não vi absolutamente nada. Alguns dos curiosos e dos devotos ficaram convencidos de que tinham visto lágrimas a deslizar pela face da imagem e¬quanto eu e o meu amigo nos encontrávamos presentes. Por outro lado, ficámos os dois convencidos, devido à nossa observação meticulosa, de que a lágrima não era líquida nem flutuou ou desceu uma fracção de milímetro sequer.»

O caso da estatueta que sangrava de Anne Poore é completamente diferente. Quando Anne recuperou do choque ao testemunhar este sangramento repentino, colocou a estatueta no centro de um santuário que mandou construir no alpendre da frente de sua casa onde muita gente a ia ver. Nas sextas-feiras e nos dias santos, o fluxo de sangue era particularmente intenso, escorrendo numa cadência cíclica, que fazia lembrar os sangramentos regulares de alguns estigmatizados. 

A estatueta acabou por ser levada para a Igreja Episcopal de S. Lucas, em Eddystone, na Pensilvânia, e instalada sobre uma plataforma três metros acima do altar. O padre Chester Olszewski, pastor daquela igreja, relatou: «.A. imagem sangrou durante quatro horas. Tenho a certeza de que não pode haver qualquer truque. Vi as palmas secas e minutos depois reparei que saíam gotículas de sangue das chagas... 

Parece incrível, mas o sangue raramente escorre pela estatueta. As suas vestes estão agora cobertas de sangue seco.» Outro sacerdote, o padre Henry Lovett, disse que foi vê-la cheio de cepticismo e voltou convencido de que se tratava de um milagre. «Eu mesmo tirei as mãos da estatueta, que estão presas por cavilhas de madeira, e examinei-as. Eram de gesso sólido. O certo é que a imagem sangrou profusamente diante dos meus olhos.»

Neste caso não restam dúvidas de que um líquido semelhante a sangue fluiu misteriosamente das chagas de Cristo da estatueta. Mas seria realmente sangue? O Dr. Joseph Rovito, conceituado médico de Filadélfia, conduziu pessoalmente uma investigação sobre este assunto. Os raios X não revelaram o menor sinal de reservatório ou de qualquer outro mecanismo ardiloso oculto na estatueta, mas os exames feitos ao sangue já não foram tão conclusivos, pois, apesar de identificado como humano, a contagem baixa de glóbulos vermelhos era curiosa e indicava uma idade avançada. Por outro lado, o facto de o sangue percorrer uma determinada distância antes de coagular indicava que era razoavelmente fresco, porém, o sangue fresco contém milhões de glóbulos vermelhos, ao contrário do que sucedia com o sangue examinado. Assim, o padre Lovett, tal como outros católicos, concluíram imediatamente que se tratava do sangue de Cristo.

Estas estatuetas tornam-se, quase sempre, objecto de culto, portanto, há a tendência para que o aparecimento misterioso de líquidos nas mesmas ou nas suas imediações seja interpretado num contexto religioso. No entanto, fora deste contexto, existem relatos quase idênticos de uma série de fenómenos do mesmo tipo: tumbas que sangram, por exemplo, manchas de sangue, persistentemente húmidas ou recorrentes, nalgumas casas assombradas (indícios, talvez, de algum assassino lendário) ou a emissão constante de substâncias tais como óleos de cor clara ou fluidos semelhantes a sangue, que parecem vir de relíquias de alguns santos.

Uma vez confirmada a não existência de truques e explicações de tipo natural, como a condensação, e tendo-se determinado que o fluxo de sangue não provém do interior da estatueta, só resta aceitar que o líquido aparece na superfície do objecto, ali se materializando de uma proveniência desconhecida, através do fenómeno misterioso da telecinese. 

Essa é, provavelmente, a mesma explicação a dar para o aparecimento de lágrimas em estatuetas e ícones. No entanto, estes líquidos não surgem ao acaso, pelo contrário, são notoriamente coerentes, pois limitam-se a locais onde tanto a fé como a lenda nos levam a esperar acontecimentos milagrosos. Este aspecto ainda é mais marcante na associação entre o sangramento e imagens de Cristo e entre as lágrimas e imagens da Virgem Maria. Esta associação regular sugere três possibilidades: que a força telecinética é criada por uma inteligência desconhecida, que ela actua automaticamente, em resposta a imagens especialmente poderosas na mente humana, ou então a um nível instintivo ou inconsciente.

Retirado de "Contra toda a Lógica"
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Círculo de Leitores

Sangue e Lágrimas - parte 3



O Dr. Scott Rogo, parapsicólogo americano, contou-nos a história do reverendo Robert Lewis, que, no dia da sua ordenação, recordou que a avó — a sua primeira mentora espiritual — chorara de alegria quando ele lhe dissera que queria tornar-se sacerdote. No entanto morrera antes de a ordenação se efectuar e Scott lamentava profundamente não ter podido partilhar essa felicidade com ela. A certa altura, ao olhar de relance para a fotografia da avó que tinha em cima da cómoda, acusou subitamente o colega de lhe ter pregado uma partida.

O amigo, reverendo William Raucher, escreveu mais tarde: «Fui ver o que tanto o perturbava e fiquei estupefacto. A fotografia da avó de Bob encontrava-se completamente ensopada, ao ponto de já haver uma poça debaixo dela. Ao examinarmos a fotografia, reparámos que, por trás do vidro, estava molhada... A parte de trás da moldura, feita de uma imitação de veludo tingido, estava de tal maneira empapada que o tecido ficara às riscas e desbotado. Retirámos a fotografia de dentro da moldura, mas esta não secou normalmente. Quando, por fim, tal aconteceu, a zona em volta do rosto continuou inflada, como se a água tivesse tido origem ali, escorrendo dos olhos.»

Rogo alvitrou que Lewis utilizara inconscientemente uma capacidade telecinética para projectar uma emoção forte no que o rodeava. «Lewis sofreu um minitrauma quando passou nos exames de ordenação», escreveu Rogo. «Era frequente a sua avó chorar de alegria e ele desejara partilhar a sua alegria com ela, queria vê-la chorar de felicidade, portanto, serviu-se da sua capacidade psíquica para desencadear o acontecido.»

Rogo adiantou ainda que não se tratava do poder bizarro de um indivíduo, mas sim do facto de todos nós podermos ser senhores desta capacidade para provocar transformações dogmáticas no que nos rodeia, projectando de dentro de nós emoções fortemente sentidas ou reprimidas. Este tipo de projecção paranormal, na qual os acontecimentos estão ligados às tensões espirituais ou psicológicas dos envolvidos, assume duas formas clássicas: os fenómenos inquestionavelmente religiosos e as perturbações conhecidas por actividade poltergeist. Em ambos os casos, os teóricos contemporâneos relacionam o desencadear de actividade ou a manifestação súbita de fenómenos com alguma crise interior. Essa crise pode assumir muitas formas, tais como o despontar da puberdade, e as complicações físicas e emocionais que lhe estão associadas, ou a pressão crescente de doenças, frustrações e desajustamentos.

Para quem tem fé, o aparecimento súbito de sangue ou lágrimas constitui um milagre; para outros, no entanto, é indício de uma forma de histeria, ou seja, o subconsciente encena esses acontecimentos aparentemente místicos para quebrar um círculo vicioso de depressão e autocomiseração. Não há dúvida de que muitos dos que têm o azar de se tornar foco de fenómenos poltergeist apresentam indícios de ter sofrido traumas, crises ou alterações importantes. 

Quando Mary Jobson, vitima de poltergeist com treze anos, apareceu com manchas desprovidas de sensibilidade na pele e com edemas, teve convulsões, a mobília do quarto moveu-se e ouviu-se música e vozes, assim como pancadas na parede. Houve mesmo ocasiões em que caíram grandes quantidades de água no chão, vindas não se sabe de onde.

Que estes fenómenos ocorrem não restam dúvidas, no entanto, só podemos calcular o como ou o porquê. Os factos sugerem o transporte telecinético de líquidos, mas de onde eles provêm continua a ser um mistério até hoje. Igualmente estranha é a diferença entre determinados tipos de projecção paranormal e a maneira como são afectados os indivíduos perturbados por elas. Tal como o Dr. Nandor Fodor, investigador, observou, «o tipo de êxtase que as Nossas Senhoras que choram provoca transmite ânimo, enquanto o poltergeist assusta e destrói irracionalmente».


Retirado de "Contra toda a Lógica"
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Planetas Alienígenas - Revelação

KGB encontrou uma Múmia Extraterrestre nas pirâmides do Egito

Mistérios da Ciência a procura de extraterrestres

Verdade ou Mito- Alienígenas