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sábado, 24 de maio de 2025

Ana da Silva (Raincoats)



1976 - Ana Paula da Silva, madeirense, chega a Londres, onde se radica. Aí conhece Gina Birch, recentemente chegada de Nottingham. Juntas, descobrem o punk e entusiasmam-se com figuras como as de Patti Smith e as Silts. 

1977 - Ana (voz, teclas e guitarra) e Gina (voz e baixo) contactam Nick Turner (bateria) e Ross Crighton (guitarra), com quem escrevem a primeira canção. 

Nov. - No concerto de apresentação, tocam as cinco canções que conhecem. Os amigos comentam que têm potencial e decidem continuar. 

1978 - Pelo grupo passam nomes como Kate Koris (ex-Silts, mais tarde membro das Modettes), Jeremy Frank e Richard Dudansski (ex-101ers, e depois membro dos P.I.L. e, de novo, nas Raincoats). A formação final é conseguida antes do fim do ano com Ana da Silva, Gina Birch, Palmolive (bateria) e Vicky Aspinall (voz, violino, guitarra). 

1979 Abr. - Para a Rough Trade, gravam o single «Fairytale of the Supermarket». 

Nov. - Editam o álbum de estreia The Raincoats, na Rough Trade. 

1981 - No disco incluem uma versão de «Lola», dos Kinks. Pela Rough Trade, editam o segundo álbum Odyshape. 

1982 Dez. - É lançado o single «No One's Little Girl». Um concerto em Nova Iorque é registado em fita. 

1983 Mar. A Rior edita a cassete The Kitchen Tapes, com as gravações do concerto nova-iorquino de Dezembro de 1982. 

Nov. - Na Rough Trade editam o single «Animal Rhapsody». 

1984 Jan. - O álbum Moving marca o fim da primeira etapa da vida das Raincoats. Ana da Silva forma uma nova banda, as Roseland, que não sobrevive ao segundo concerto. Ao longo da década de 80 assina trabalhos de música para teatro e dança. 

1993 Maio. - Kurt Cobain escreve, nas notas do álbum Incesticide, dos Nirvana, que as Raincoats foram uma das bandas que mais o influenciaram. De visita a Londres, passa pela loja da Rough Trade, à procura de uma cópia nova do álbum "The Raincoats", para substituir a sua, entretanto danificada. A empregada da loja, sem poder responder à solicitação, por falta de stock, dá a Cobain o endereço do antiquário onde Ana da Silva trabalha, propriedade de seu primo Manuel Castilho. Ana da Silva não o reconhece, mas aceita o pedido e fica com uma morada para responder. Só mais tarde se apercebe da situação e, ao responder a Cobain, envia uma cópia de "The Raincoats" e notas escritas. Cobain intercede, depois, a favor da reedição da obra das Raincoats. O sucesso acabará por conduzir, depois da reunião do grupo, à assinatura de um acordo das Raincoats com a Geffen, a editora dos Nirvana. 

Ago. - A Rough Trade reedita em CD os álbuns "The Raincoats" e "Odyshape", ambos com faixas extra e com um texto de Kurt Cobain. 

Out. A reedição da obra antiga das Raincoats é concluída com "Moving". Ana da Silva passa por Portugal e dá entrevistas em rádios e jornais onde levanta, pela primeira vez, a hipótese de uma reunião, para alguns concertos. 

1994 - No Garage, em Londres, o concerto de reunião mostra uma nova formação: Ana (voz, guitarra), Gina (voz, baixo), Pete Shelly (baterista, dos Sonic Youth) e Ane Wood (violino). Vicky Aspinail forma a Fresh, editora de dance music. 

1995 - As Raincoats actuam na semana académica da Covilhã, onde apresentam algumas canções novas. Heather Dunn ocupa o lugar de Pete Shelly na bateria. 

1996 - Editam o single «Don't Be Mean» e o álbum "Looking in the Shadows". 

Dez. - O Diário de Notícias considera "Looking in the Shadows" como o segundo melhor álbum pop-rock internacional do ano. 

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Amália Rodrigues - Parte 8

 

1984 Dez. É editado "Amália na Broadway", que reúne oito standards de musicais americanos gravados por Amália em 1965 nos estúdios de Paço d'Arcos com o maestro inglês Norrie Paramor, mas nunca antes editados em disco. As gravações haviam sido pensadas para um álbum de standards americanos que nunca veria a luz do dia - Amália não se sentia à vontade a cantar em inglês, e apenas gravou voz em oito dos 12 temas previstos, embora as partes instrumentais dos outros quatro temas já houvessem sido registadas. O álbum atinge o 17° lugar do top oficial de vendas de álbuns compilado pela UNEVA (mais tarde AFP -Associação Fonográfica Portuguesa). 

1985 Abr. (19) Dá o seu primeiro grande concerto a solo em Portugal, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. 

(26) Atua no Coliseu do Porto. 

Jul. É editado o duplo álbum "O Melhor de Amália - Estranha Forma de Vida", que reúne 24 dos mais populares e aclamados fados de Amália e atinge o 1° lugar do top oficial de vendas de álbuns, mantendo-se oito meses no top e vendendo para cima de 100 mil exemplares. 

Set. (10) Regressa ao Olympia de Paris. Amália recebe das mãos do ministro Jack Lang a condecoração de Comendador da Ordem das Artes e das Letras de França. 

Out. (6) A cidade canadiana de Toronto regista este dia como o Dia Oficial de Amália Rodrigues. 

Nov. Na sequência do êxito de "O Melhor de Amália", é editado um segundo álbum compilação, "O Melhor de Amália volume II - Tudo Isto é Fado", que ultrapassa as 50 mil cópias vendidas e atinge o 2° lugar do top oficial de vendas. 

1987 É editada a biografia oficial de Amália "Amália - uma Biografia", por Vítor Pavão dos Santos, diretor do Museu Nacional do Teatro, jornalista e talvez o maior admirador e coleccionador de Amália em território português. O livro é o registo de 25 conversas com Amália que tiveram lugar entre 1985 e 1986 e que Pavão dos Santos organizou como se fosse um longo monólogo da própria Amália com o leitor. 

Out. O primeiro CD de Amália é editado em Portugal: "Sucessos", uma compilação concebida originalmente para o mercado internacional, e que apenas ficará em catálogo até se iniciar a transferência para CD dos vários álbuns de Amália. 

Dez. É editado o triplo-álbum de luxo "Coliseu - 3 de Abril de 1987", que regista na íntegra o concerto de Amália no Coliseu de Lisboa naquela data. Obtém o Disco de Ouro por vendas superiores a 20 mil cópias e atinge o 13° lugar, dos tops. 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Amália Rodrigues - Parte 7

1976 Maio (28) É editado Amália no Canecão, álbum ao vivo que regista parte do show de Amália naquele palco brasileiro em 1973. 

Out. (26) É publicado o álbum "Cantigas da Boa Gente", a primeira de três compilações de material lançado anteriormente em singles e EP editadas no espaço de seis meses. 

1977 Jan. (27) E publicado o álbum "Fandangueiro", compilação de material previamente editado. 

(31) É editado o single «Caldeirada - Poluição» mais urna composição de Alberto Janes. 

Fev. (21) Edição do LP "Anda o Sol na Minha Rua", mais uma compilação de material já lançado em singles e EP. 

Abr. (28) Edição do álbum "Cantigas numa Língua Antiga", primeiro álbum de material original de Amália em três anos, embora dele façam parte alguns ternas já anteriormente registados pela fadista, aqui gravados em novas versões. 

Jun. (16) Atua no Carnegie Hall de Nova Iorque. 

1978 Participa no duplo-álbum de Frei Hermano da Câmara, "O Nazareno". 

1980 Jul. (13) Atua no Newport Music Festival, nos EUA, acompanhada pela Rhode Island Philharrnonic Orchestra, sob a direção do maestro Álvaro Cassuto. 

Nov. Edita "Gostava de Ser Quem Era", o seu primeiro álbum de material inédito em três anos, composto por dez fados originais com letras da própria Amália, escritas em sua casa durante a convalescença de uma doença. 

Dez. Atua na televisão francesa, onde canta, em dueto com Júlio Iglesias, «Coimbra». 

1982 Jan. (26) Edita "O Senhor Extra-Terrestre", um maxi-single com duas canções originais de Carlos Paião. Mário Martins, um dos A&R da Valentim de Carvalho, levara à cantora algumas das maquetas que Paião enviara à editora, numa manobra desenhada para dar credibilidade ao compositor, e Amália escolheu dessas maquetas 37 canções, das quais apenas acabaria por gravar só duas. As gravações haviam sido realizadas em 1981, numa altura em que o compositor estava ainda longe da popularidade que atingiria com a sua vitória no Concurso Eurovisão da Canção com o tema «Play-back», mas só veriam edição a tempo do Carnaval de 1982. 

Nov. Edita "Fado", um novo álbum de estúdio composto exclusivamente por novas gravações de composições de Frederico Valério. O álbum atinge o 5° lugar do top de vendas de álbuns compilado pela revista "Música & Som". 

1983 Edita o álbum "Lágrima", composto por 12 originais gravados durante 1982 e 1983, de novo com letras suas. Será o seu último disco de material inédito até à edição de Obsessão, em 1990. 


segunda-feira, 5 de maio de 2025

Amália Rodrigues - Parte 6

Jul. A TV Record de São Paulo, no Brasil, emite o primeiro episódio da telenovela «Os Deuses Estão Mortos», com Amália num dos papéis principais. 

(9) Amália edita o LP "Oiça Lá ó Senhor Vinho", uma nova compilação de material publicado em singles e EP, incluindo como tema principal «Oiça Lá ó Senhor Vinho», uma nova criação do autor de «Vou Dar de Beber à Dor», Alberto Janes, que fora publicada em EP em Maio. 

Out. (8) É editado em Portugal Amália no Japão, álbum gravado no Sankei Hall, em Tóquio, em Setembro de 1970. 

Nov. (30) Edita o LP "Cantigas de Amigos", onde Ary dos Santos e Natália Correia participam declamando poesia medieval portuguesa e Amália canta cantigas de amigo acompanhada à guitarra e à viola. 

1972 Abr. É editado "Amália Canta Portugal III", também conhecido por "Folclore à Guitarra e à Viola", onde Amália grava folclore português, mas agora com acompanhamento de guitarra e viola. 

Jul. (15) Atua no Festival de Cartago, na Tunísia. 

Set. (28) Antes de partir para o Brasil, Amália grava, nos estúdios Valentim de Carvalho, 12 fados com o saxofonista de jazz Don Byas, para um álbum que só será editado dois anos mais tarde. 

Out. (5-29) Apresenta no Canecão o espetáculo «Um Amor de Amália», idealizado por Ivon Curi. E um sucesso enorme que Amália se verá obrigada a interromper devido a contratos previamente assumidos. 

Nov. (20) E editado em Portugal o LP ao vivo "Amália em Paris", gravado ao vivo no Olympia. 

1973 Jan. (23) O álbum "Fados 67" é reeditado com o título "Maldição". 

(26) Os três EP de folclore com orquestra, gravados em 1966 e publicados em 1967, são finalmente editados em Portugal num único álbum, com o título "Amália Canta Portugal". 

Mar. (28) O material incluído em "Amália Canta Portugal III" é publicado sob a forma de três EP  "Fadinho da Ti Maria Benta", "Cana Verde do Mar" e "Valentim". 

Ago. (23) Retoma «Um Amor de Amália» no Canecão. Grava em italiano o álbum "A Una Terra C'he Amo". 

1974 Mar. (28) É publicado o álbum "Encontro - Amália e Don Byas", que reúne as gravações realizadas com aquele saxofonista de jazz em 1972. 

Maio (24) Edita em single, com uma capa alusiva ao 25 de Abril, «Meu Amor E Marinheiro». 

(31) Edita em single «Trova do Vento Que Passa», criação de Adriano Correia de Oliveira, gravada por Amália em 1969 para o álbum "Com Que Voz". 

Jul. (1) Na senda de «Meu Amor É Marinheiro» e «Trova do Vento Que Passa», são lançados simultaneamente mais dois singles com reportório de algum modo relacionado com a Revolução dos Cravos. O primeiro tem como tema principal «Fado Peniche (Abandono)» que Amália gravara em 1962 no álbum "Busto" e que se tornara num fado polémico nos tempos da censura, e o segundo inclui «Grân-dola Vila Morena», numa versão inédita gravada originalmente para um dos discos de folclore, muito antes da sua escolha para senha do 25 de Abril. 

Nov. Num período em que Amália se retira um pouco da vida pública, na sequência de alguns ataques políticos infundados denunciando-a como apoiante encapotada do regime fascista, devidos à sua popularidade internacional e à sua reputação como «embaixatriz cultural» de Portugal no estrangeiro e que os quatro singles com reportório revolucionário publicados em Maio e Julho não conseguiram anular, é editado o duplo-álbum "Amália no Café Luso", com o registo até aqui inédito de uma apresentação ao vivo de Amália naquele recinto de Lisboa nos anos 50. 

1975 Jun. (28) Durante um ano, no qual Amália mantém o seu afastamento da vida pública, participa na Gala UNICEF 75 no Olympia de Paris.