1972 A pré-história da Banda do Casaco começa quando Nuno Rodrigues, então membro dos Música Novarum, forma a Family Fair com a cantora Daphne (também dos Novarum), o violinista Carlos Zíngaro e o violoncelista Celso Carvalho. Os dois últimos formavam com o então baterista Paulo Gil o núcleo do Plexus, um grupo de jazz de vanguarda absolutamente pioneiro no panorama nacional da época. Do Family Fair ficou apenas um single editado nesse ano. Celso Carvalho ficou até ao fim com a Banda do Casaco.
1973 Nuno Rodrigues encontra o segundo pilar da futura Banda do Casaco, António Pinho, então membro da Filarmónica Fraude. O responsável pelo encontro de ambos foi Rui Neves, nome ligado ao jazz avantgarde e que manteve até hoje uma intensa atividade como crítico, divulgador e produtor de concertos. Deve-se-lhe o primeiro festival de jazz «alternativo» ao Cascais Jazz, organizado em Sintra, em 1976. Pinho, que até 1983 foi o letrista da banda, e Rodrigues começaram desde logo a escrever o material daquele que seria o primeiro disco da Banda do Casaco, "Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios".
1974 A odisseia pelas editoras começa com um «não» de Pedro Osório e da Sassetti ao projecto, que acaba por ser aceite pela Philips. António Pinho e Nuno Rodrigues apenas tinham o álbum escrito no papel e não faziam ideia dos músicos que lhe iriam dar corpo. As escolhas recaem sobre Celso Carvalho e Zíngaro, Luís Linhares (Filarmónica Fraude), Helena Afonso, Daphne e Judi Brennan (Música Novarum), Nelson Portelinha e José Campos e Sousa. Os primeiros ensaios arrancam no Louisiana, um clube de jazz em Cascais hoje desaparecido. Desde logo surge uma formação típica da Banda, com um número importante de músicos e várias vozes femininas e masculinas. Marrota ficou fascinado com a música da Banda e aceitou voltar para gravar com os músicos portugueses. Não havia memória de um músico de reputação internacional como ele aceitar integrar um projeto nacional. Nos sintetizadores surgia ainda o britânico Peter Harris, numa formação que integrava o baixista e guitarrista Zé Nabo, actualmente na banda de Rui Veloso. Nesse ano, a dupla António Pinho/ Nuno Rodrigues escandaliza de novo, ao escrever «Ali Babá», a canção que as Doce levaram ao festival da canção. «E preciso acabar com os mitos e respeitar o trabalho de cada um. Só assim é que a música portuguesa pode evoluir. Entre o António Calvário e o Sérgio Godinho tem de haver um António Godinho e um Sérgio Calvário» justificou, então, Nuno Rodrigues.
1982 É editado "Também Eu" em cuja capa, inesquecível, surge o filho de Nuno Rodrigues. Mas o «outro» pai da Banda do Casaco falta à chamada. António Pinho deixa o grupo e mantém o envolvimento com as Doce. «Neste momento, achava limitativo para a minha música os textos do Pinho», diria Nuno Rodrigues a António Duarte, do Sele, quando "Também Eu" foi lançado. Né Ladeiras é a única voz que se ouve aqui, facto nunca antes verificado nos discos da Banda do Casaco, tradicionalmente gravados para várias vozes. «Salvé Maravilha» ficou como a canção de proa do disco, onde se mantinha basicamente a mesma formação de "No Jardim da Celeste". A somar à saída de Pinho, o anúncio de que Né Ladeiras se iria lançar numa carreira a solo faz também soçobrar os alicerces do grupo. Nesse ano, os discos gravados para a Phonogram são reunidos no duplo "A Arte e a Música" da Banda do Casaco, adaptando para a música portuguesa a designação habitual (a arte e a música) nas coletâneas de músicos brasileiros.
1984 Os dez anos da Banda do Casaco assinalam o primeiro concerto ao vivo, na festa dos "Seles de Ouro", para a qual o grupo juntou numerosos convidados, nomeadamente a Ti Chitas, uma cantora popular de Penha Garcia (Beira Baixa). Nuno Rodrigues tem pronto um oitavo álbum do grupo, sem Né Ladeiras, mas a Valentim de Carvalho acabará por não o editar, por Nuno Rodrigues insistir na presença de José Fortes.

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