1965 João Ribeiro e Manuel Paulo formam os Beatnicks e abrem o primeiro capítulo de um dos nomes mais duradouros do rock português, ainda que o percurso da banda tenha sido mais do que errante e conhecido vários períodos em que pura e simplesmente não existiu. Os primeiros anos de vida dos Beatnicks foram um exemplo desta situação. Chamadas de membros do grupo para a tropa e a indisciplina geral dos músicos fez com que este projecto de laivos psicadélicos pouco evoluísse até à década seguinte.
1971 A segunda fase dos Beatnicks continua a ter o baixista João Ribeiro como principal impulsionador. O fundador do grupo constitui uma nova formação com Rui Pipas (guitarra) - que viria a falecer num acidente alguns anos depois, quando estava já fora da banda - Mário Ceia, na bateria, e José Diogo na voz. O inglês é o idioma de serviço. O grupo vence o primeiro prémio do Festival de Rock de Coimbra, atua em Vilar de Mouros e toca em Espanha, nos Festivales Bahia, realizados em Vigo, onde levam o tema «Christine Goes to Town». Este será um dos temas que os Beatnicks gravam no seu primeiro EP (Tecla), onde surgem ainda «Little School Baby» e «Sing it Along».
1972 Rui Pipas deixa o grupo e entram Zé Artur, Ramiro e Jorge Calado. Por pouco tempo: a ameaça do serviço militar leva-os a emigrar para a Bélgica. Termina a segunda fase dos Beatnicks.
1974 É João Ramiro quem reforma o grupo, já após o 25 de Abril. O músico é contratado para tocar na peça de teatro "Viagens à Íris" e aí conhece o guitarrista Jorge Casanova, o teclista (e actor na peça) Luís Borges e urna actriz chamada Helena Aguas, que será mulher de Ramiro e não tardará a integrar o grupo como vocalista, sob o nome de Lena d'Agua. A outra voz dos Beatnicks é Tó Leal e este line up inclui ainda Araújo na bateria e Joaquim na guitarra.
1975 Luís Borges e Joaquim deixam o grupo e Lena d'Agua entra. Nesta fase, o grupo toca essencialmente material de bandas e músicos anglo-saxónicos, continuando a afirmar a sua identidade psicadélica e peace & love.
1976 Jorge Casanova começa a compor temas «progressivos» para os próprios, nomeadamente «Cosmonicação», um ex-libris dos concertos da banda. «Somos o Mar», «Scorpius» e «Bailarina» são outros temas habituais nos espectáculos onde os Beatnicks introduzem os strawbs, os fumos e a projecção de slides, que se tinham visto pela primeira vez entre nós nos concertos dos Genesis, em 1975. Não há nenhum disco do grupo neste período, que é talvez aquele em que a banda assume maior importância na cena nacional. No fim do ano, tocam no Festival de Rock de Moscavide, ao lado dos Arte & Oficio, Psico, Mini Pop e Hosanna.
1977 O grupo participa no primeiro e único Musical Açores. Uma presença que origina uma crónica favorável da Música & Som. Um pouco de notoriedade ao fim de seis anos, mas nem por isso os Beatnicks deixam de continuar a marcar passo e a não ter propostas para gravar. Conhecem entretanto os Waveband, uma banda alemã que se radica em Portugal, com a qual colaborarão regularmente.
1978 As águas agitam-se, mas tanto no mau como no bom sentido. Em Abril, o grupo faz a primeira parte do concerto de Jim Capaldi no Coliseu (onde também toca a Go Graal Blues Band) mas tudo corre mal. Lena d'Água bate com a(s) porta(s): deixa o grupo e separa--se de Ramiro, de quem tivera uma filha, Sara. A cantora surgirá nos coros das Cocktail quando o grupo de Tozé Brito defende «Dai-Li--Dou» no Festival da Canção, em Roma. Em Junho, os Beatnicks fazem a primeira parte dos Pulsar. O melhor acontecimento do ano é porém a gravação do segundo single, o primeiro desta fase, com os temas «Somos o Mar» e «Jardim Terra», de pendor obviamente ecologista. O disco é lançado pela Rádio Triunfo. O baterista Araújo vai para a tropa e é substituído por Necas. Ramiro lança-se entretanto no projecto Doyo, embora mantenha os Beat-nicks activos.
1981 O terceiro e último single, com os temas «Blue Jeans» e «Magia» surge numa fase em que o grupo está moribundo e completamente fora da jogada.

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